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Plano de manejo suspeito está sendo investigado

Tudo Rondônia - www.tudorondonia.com
29 de jun de 2008

A recente Operação Savana deflagrada pela Polícia Federal, que levou onze pessoas para a cadeia, inclusive um procurador federal, por envolvimento no desmatamento ilegal e adulteração de documentos para esquentar madeira retirada de forma ilegal, pode ter desdobramentos muito mais sérios do que se pensa.

Documentos e arquivos apreendidos em análise pela Polícia Federal revelaram muito mais que um esquema para legalizar madeira ilegal. Entre os pontos investigados, um especificamente chama a atenção. Trata-se de um plano de manejo de uma grande área, que foi aprovado pela Sedam para ser explorado ao longo dos próximos 60 anos.

O longo período de exploração para os padrões dos planos de manejo aprovados em Rondônia levantou suspeita. Da suspeita, chegou-se à pistas que sinalizam para o pagamento de propina de mais de meio milhão de reais para a aprovação do plano. Os envolvidos, incluindo altas autoridades do Estado, estão na mira da PF.

No cruzamento de dados da operação Savana, com a Operação Curupira, que identificou e multou dezenas de madeireiras envolvidas em operações clandestinas, essas mesmas autoridades aparecem envolvidas em negociações com empresários autuados.

Recentemente, o delegado da PF, Fabrício Carmargo, que comandou a Operação Savana, confirmou ao jornal Diário da Amazônia essas investigvações, a partir dos documentos e arquivos de computadores apreendidos.

Família Cassol

No relatório divulgado há dez dias pela ONG Grupo de Trabalho da Amazônia (GTA), o Governo do Estado aparece como principal responsável pelo desmatamento da região, seja através de propriedades irregulares da família do governador Ivo Cassol (sem partido), seja por fazer vista grossa ao desrespeito generalizado às áreas preservadas do estado. Segundo o documento, "o clima de impunidade contribui para o avanço do desmatamento". O governo de Rondônia nega as acusações.

O GTA denuncia que a família do governador Cassol possui "várias" fazendas localizadas no Vale do Guaporé, numa Área de Uso Especial conhecida como Zona 2, que é uma região de preservação que prevê uso sob manejo sustentável.

"A maior parte das terras pertencia à Floresta Estadual de Rendimento Sustentado (Fers) Rio Mequéns, que 'sumiu' do mapa na segunda aproximação do zoneamento, após ser invadida por fazendeiros. Além de manter pastagens ilegalmente em áreas de preservação permanente e na faixa de proteção constitucional do Rio Guaporé, a família Cassol obteve junto à Sedam, com a anuência do então secretário, Augustinho Pastore, o licenciamento ambiental de algumas das propriedades em nome do filho do governador, Ivo Cassol Júnior, com reserva legal contemplando 50% da área do imóvel."

Avalone Sossai

A Sedam também teria concedido permissão para a empresa WoodShopping explorar madeira dentro da reserva de Rio Preto-Jacundá. "Mais de 10 mil metros cúbicos de madeira já foram retirados da reserva", afirma o documento, que informa que o dono da empresa é Avalone Sossai de Farias, presidente do Sindicato das Madeireiras de Ariquemes.

O documento afirma também que a tribo Cinta Larga "é constantemente submetida a constrangimentos pelos policiais das bases de fiscalização." Estes estariam coniventes com mineradores, garimpeiros e contrabandistas envolvidos "no comércio de 'diamantes de sangue'". O relatório diz que "estima-se que os negócios do crime organizado nas terras Cinta Larga superem os US$ 5 bilhões anuais".

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