JB, Pais, p.A5
06 de Mai de 2004
Planalto protege marido de ministra
Projeto superfaturado envolve Fábio Vaz
Luiz Queiroz
BRASÍLIA - O Palácio do Planalto está agindo para para impedir que Fábio Vaz de Lima, marido da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, acabe envolvido nas denúncias de corrupção que estão sendo feitas pelos funcionários do Ibama contra a direção do órgão. O ministro-chefe da Coordenação Política, Aldo Rebelo, vem tentando, há dois dias, livrar o marido da ministra de uma audiência pública que será realizada pela comissão de Fiscalização e Controle da Câmara para apurar as denúncias.
Ontem, a comissão não votou o requerimento do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) que pede a realização de audiência com as presenças do presidente do Ibama, Marcus Luiz Barroso Barros, do ex-diretor de Gestão estratégica, Leonardo Tinoco, além de Fábio Vaz e do chefe do Centro Nacional de Populações Tradicionais (CNPT) do Ibama, Atanagildo de Deus Matos.
O presidente da comissão, deputado José Priante (PMDB-PA), considerou a proposta ''prejudicada'', porque o autor do requerimento não estava presente a sessão. Hauly participava de uma audiência pública em outra comissão da Câmara e chegou atrasado para defender o requerimento, uma questão burocrática, já que em outras comissões vota-se requerimentos com ou sem a presença de seus autores.
Priante demonstrou interesse em derrubar o requerimento, embora saiba que pelo regimento da Câmara deverá reapresentá-lo na próxima sessão.
No requerimento, o deputado Luiz Carlos Hauly pede que os dirigentes do Ibama expliquem as denúncias feitas pelos funcionários do órgão de que o Programa de Desenvolvimento Comunitário das Reservas Extrativistas, financiado pelo BNDES, pode estar superfaturado. Segundo estes funcionários, o diretor Leonardo Tinoco e outros dois servidores do Ibama teriam sido demitidos porque foram contra os valores de projeto elaborado pelo Conselho Nacional de Seringueiros.
Segundo o chefe do CNPT, Atanagildo Matos, que já responde a inquérito administrativo por suposto desvio de R$ 1,5 milhão em outro programa ambiental financiado pelo Banco Mundial, teria montado a tabela de preços para o programa das reservas extrativistas. De acordo com os valores apresentados nesta tabela, o projeto de manejo florestal como o de Cazumbá/Iracema deveria custar R$ 819 mil, quando deveria ser orçado em no máximo R$ 200 mil, segundo os funcionários do Ibama.
O marido da ministra Marina Silva, lotado no gabinete do suplente dela, o senador Sibá Machado (PT-AC), está sendo apontado como autor do projeto de manejo florestal elaborado pelo Conselho Nacional de Seringueiros, organização em que já atuou como secretário-geral.
JB, 06/05/2004, p. A5
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