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Planalto acusa índios de Belo Monte de má-fé

OESP, Economia, p. B3
07 de mai de 2013

Planalto acusa índios de Belo Monte de má-fé
Secretaria-Geral da Presidência diz que índios que ocupam a usina estão ligados ao garimpo ilegal de ouro na região

FÁTIMA LESSA / CUIABÁ, ESPECIAL PARA O ESTADO

O governo acusou os índios mundurucus, que ocuparam na semana passada o canteiro de obras da Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, de terem ligações com o garimpo ilegal e de agirem de má-fé nas reivindicações que têm feito, de suspensão imediata das obras relacionadas às barragens nos Rios Xingu, Tapajós e Teles Pires.
Em nota, a Secretaria-Geral da Presidência da República, do ministro Gilberto Carvalho, disse que "alguns mundurucus não querem nenhum empreendimento em sua região porque estão envolvidos com o garimpo ilegal de ouro no Tapajós e afluentes". Segundo a secretaria, um dos principais porta-vozes dos invasores em Belo Monte é proprietário de seis balsas de garimpo ilegal.
O governo diz que mantém sua disposição de dialogar com os mundurucus. Mas afirma que pretende "dialogar com lideranças legítimas, que expressem os verdadeiros anseios das comunidades mundurucus".
Reintegração. A Justiça Federal do Pará negou pedido de reintegração de posse do canteiro de obras da Hidrelétrica de Belo Monte, ocupado por cerca de 200 índios. A Norte Energia e o Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) confirmam a permanência dos manifestantes no canteiro.
Na decisão, o juiz Sérgio Wolney de Oliveira Guedes disse que "a questão indígena e os impactos sociais da construção da hidrelétrica geram a necessidade de cautela na utilização de decisões unilaterais e da força para cumpri-las".
A decisão foi publicada no dia 4 e considerou que a "desocupação (...) impõe uso de força policial, o que (...) representa risco de morte para os supostos índios e para os profissionais que participariam do cumprimento da decisão, inclusive considerando a alegada presença de mulheres e crianças".
Para o juiz, o prejuízo alegado pela empresa não se mostrou razoável. Ele determinou que a Fundação Nacional do Índio (Funai) passe a intermediar a negociação com a concessionária, e que o Ministério Público Federal e a Polícia Federal tomem ciência e apurem os fatos.

OESP, 07/05/2013, Economia, p. B3

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