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Pinheiros tem melhor avaliação em pesquisa

OESP, Metrópole, p. C8
21 de Jan de 2011

Pinheiros tem melhor avaliação em pesquisa
Subprefeitura que inclui Jardins e Itaim é a única acima da média em enquete do Ibope

Márcio Pinho

A região da Subprefeitura de Pinheiros, que compreende os bairros do Itaim-Bibi e Jardins, na zona sul, e Pinheiros e Alto de Pinheiros, na zona oeste, é a única em São Paulo em que os moradores dão "nota azul" para a qualidade de vida, segundo pesquisa do Ibope. Em uma escala de 1 a 10, cuja média é 5,5, entrevistados nessa região tiveram um índice de satisfação médio de 6,2.
O levantamento divulgado ontem pela Rede Nossa São Paulo, antigo Movimento Nossa São Paulo, foi feito em toda a cidade. A pesquisa ouviu 1.512 moradores da capital, entre 29 de novembro e 12 de dezembro de 2010.
Os moradores de todas as outras regiões de São Paulo reprovaram sua qualidade de vida com notas abaixo da média. O pior índice de satisfação foi registrado na área das Subprefeituras de Capela do Socorro e Cidade Ademar, ambas na zona sul, onde a nota média foi 4,5.
Segundo Oded Grajew, coordenador-geral da secretaria executiva da Rede Nossa São Paulo, essa diferença entre Pinheiros e bairros do extremo sul é explicada não apenas pela diferença de nível socioeconômico entre as regiões, mas por uma questão de prioridade do poder público. "Em Pinheiros, há os formadores de opinião, pessoas que cobram mais, fazem movimentos de bairro, e onde encontramos vereadores que moram lá. Há, contudo, outras regiões que não têm nem um teatro, um cinema ou uma biblioteca", diz.
Indicadores presentes no site da Nossa São Paulo ajudam a ilustrar a diferença. Neles, Pinheiros está à frente em praticamente todos os quesitos positivos. Em 2009, o bairro tinha 12,8 leitos hospitalares por mil habitantes, enquanto Capela do Socorro tinha 0,51. No mesmo ano, a taxa de homicídios foi de 1,93 por 100 mil habitantes em Pinheiros e de 13,39 em Cidade Ademar.
A diferença é perceptível na visão dos moradores sobre o bairro. "Não troco isso aqui por nada. É um bairro muito arborizado, bem cuidado pela comunidade, com excelentes escolas, clínicas médicas e todo tipo de serviço", afirma Maria Helena Bueno, presidente da Sociedade dos Amigos de Alto de Pinheiros e moradora do bairro há 11 anos.
Estável. A avaliação negativa na maioria das subprefeituras puxou a média da cidade para baixo. A nota geral foi 5, um pouco acima do resultado apontado por pesquisa semelhante realizada em dezembro de 2009, quando o nível de satisfação era 4,8.
Márcia Cavallari, diretora do Ibope, diz que o início de dezembro de 2009 era mais chuvoso do que o de 2010, e que as enchentes podem ter influenciado na avaliação anterior. Apesar disso, diz que a variação de 0,2 de um ano para o outro não é estatisticamente significativa.
Entre os itens que fazem com que a avaliação do paulistano seja negativa estão o transporte e o trânsito. Tarifas e respeito ao pedestre tiveram notas baixíssimas, com média de 3,6. A qualidade das calçadas levou 3,9.
Na área da saúde estão os maiores aumentos de insatisfação entre 2009 e 2010. O quesito "tempo médio entre a marcação e a realização de consultas", que já recebia nota média de 3,7 em 2009, agora ficou com 3,4.
Para Oded Grajew, da Rede Nossa São Paulo, tudo tem a ver com problemas de políticas públicas e com o cidadão que elege, mas não cobra melhorias. A pesquisa mostra que isso se reflete na visão da população sobre o poder público. Quanto perguntados se confiam em variadas instituições, 47% disseram que sim em relação à Prefeitura e 36% sobre a Câmara.
Nota boa. Já as boas avaliações se deram quando o tema era a vida do cidadão, a relação com a família, os amigos e a religião.

Dos entrevistados, 84% dizem que capital é insegura
Percepção nesse quesito não teve mudança significativa em relação às pesquisas feitas em anos anteriores

A insatisfação do paulistano em relação à qualidade de vida na cidade se traduz também na percepção que tem sobre a segurança. Apenas 1% das 1.512 pessoas entrevistadas pelo Ibope disseram que sentem-se muito seguras vivendo na capital.
Para 84% dos entrevistados, a cidade é insegura para se viver. Do total, 60% classificaram São Paulo como pouco segura e 24% como nada segura. Já 15% avaliaram a cidade como segura.
A sensação de insegurança em relação aos anos anteriores não mudou muito. Em 2008, por exemplo, 87% dos entrevistados apontavam a cidade como insegura.
Insatisfação. A qualidade de vida ficou estável entre 2009 e 2010 para 44% dos entrevistados. Já 34% responderam que "melhorou um pouco". Para 3%, piorou muito.
Apesar de vários itens terem sido avaliados,um deles resume de forma clara a insatisfação do paulistano e o desejo de mudança. Os entrevistados foram perguntados se, caso pudessem,sairiam de São Paulo para viver em outra cidade. A maioria,51%,afirmou que sim.
"Tem muita coisa a ser melhorada e não é todo governo que dá a atenção devida à população", afirmou Helena Dias Pereira, presidente de uma sociedade de bairro de Cidade Ademar, onde houve maior insatisfação entre os entrevistados. Segundo ela, a má qualidade da saúde e da educação, a falta de áreas verdes e pavimentação nas ruas e a violência recorrente são "só alguns" problemas do bairro. / M.P.

OESP, 21/01/2011, Metrópole, p. C8

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110121/not_imp669044,0.php

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