VOLTAR

PF vai ouvir Jucá sobre suspeita de compra de votos

OESP, Nacional, p. A10
19 de Dez de 2007

PF vai ouvir Jucá sobre suspeita de compra de votos
Senador é acusado de ter integrado esquema em Boa Vista, em 2002

Felipe Recondo

A Polícia Federal vai chamar o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e sua mulher, a ex-prefeita Tereza Jucá, para que deponham sobre um suposto esquema de compra de votos montado por eles em Boa Vista (RR), nas eleições de 2002. Os beneficiários do crime eleitoral, de acordo com investigações do Ministério Público, seriam o ex-governador Ottomar Pinto, morto na semana passada, e Jucá, líder do governo no Senado.

Diante dessa denúncia, o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu, no último dia 7, um inquérito para apurar o caso, que está sob a relatoria do ministro Celso de Mello. Além dos dois depoimentos, o Ministério Público pediu à Polícia Federal que convoque para novos depoimentos as três testemunhas que revelaram a existência desse plano para a compra de votos. Elas eram contratadas pela Prefeitura de Boa Vista.

Nos depoimentos que prestaram à época à Polícia Federal, as três testemunhas contaram que pessoas eram organizadas em funções distintas - "corrente", "elos", coordenador de bairro e militantes - para angariar votos. Eles anotavam os nomes dos eleitores, seus endereços e dados do título de eleitor. Cada pessoa abordada, disseram as testemunhas, recebia R$ 50 na manhã do dia das eleições, com a promessa de receber outros R$ 50 ao final do dia.

As testemunhas entregaram documentos que comprovariam o esquema e duas pequenas urnas eletrônicas com os nomes de alguns candidatos. A Polícia Federal terá 60 dias para cumprir diligências, que se resumem a tomar depoimentos.

ARQUIVAMENTO

O líder do governo no Senado afirmou que o caso já foi concluído no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Roraima. Ele considera natural que o Ministério Público queira aprofundar as investigações, inclusive porque o caso foi arquivado em Roraima, por falta de provas.

"Esse assunto é antigo, já foi encerrado no próprio Estado", argumentou o senador. "Da minha parte, estou à disposição para qualquer esclarecimento necessário", completou.

Ao final das diligências e depoimentos, se for confirmado que não há provas suficientes contra Jucá, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, pode arquivar o inquérito. Caso contrário, oferecerá denúncia contra o senador ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Frases
Romero Jucá Senador (PMDB-RR)
"Esse assunto é antigo, já foi encerrado no próprio estado"
"Da minha parte, estou à disposição para qualquer esclarecimento necessário"

OESP, 19/12/2007, Nacional, p. A10

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.