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PF Prende Seis Por Contrabando De Diamantes

O Globo, O País, p. 9
11 de Fev de 2006

PF Prende Seis Por Contrabando De Diamantes
Operação Carbono apreende gemas, dinheiro e computadores em três estados; entre os envolvidos, um alto funcionário federal

Belo Horizonte. A Polícia Federal prendeu ontem seis pessoas durante operação batizada de Carbono, realizada em três estados. Cinco suspeitos de tráfico internacional de diamantes foram presos em Minas Gerais e um no Rio.
Segundo o Núcleo de Inteligência da Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte, a Operação Carbono teve o objetivo de combater o contrabando de pedras preciosas, além de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e evasão de divisas. Também participaram da ação representantes do Ministério Público Federal e da Receita Federal.
Entre os detidos está Luiz Eduardo Machado de Castro, superintendente do Departamento Nacional de Produção Mineral, de Minas Gerais, órgão do Ministério de Minas e Energia, responsável pela emissão do certificado Kimberley, que atesta a legitimidade de metais preciosos. Ele foi detido na cidade de Coromandel, na região do Triângulo Mineiro. Com ele, a polícia apreendeu certificados adulterados.
Em Belo Horizonte, foi presa a comerciante Viviane Albertina dos Santos, suspeita de chefiar a quadrilha no estado. Ela é acusada de manter relações comerciais com o contrabandista Hassan Ahmad, nascido em Serra Leoa, que está foragido. Ele é procurado pelo FBI, acusado de sonegação fiscal, em um rombo de cerca de US$13 milhões no mercado norte-americano de metais preciosos.
Segundo a Polícia Federal, Hassan Ahmad é sócio-proprietário da empresa Primeira Gema, que tem sede em Belo Horizonte, e o terceiro maior produtor de gemas do Brasil, apesar de não ter autorização para a exploração de pedras.
Apartamento de contador tinha cerca de US$250 mil
Ainda na capital mineira, foram detidos Patrícia Santos Pompeu Magalhães, Daniel Carneiro Pires e o contador Matheus Ribeiro da Silva. No apartamento de Matheus os policiais apreenderam documentos, computadores e cerca de US$250 mil em dinheiro. O empresário Leandro Márcio dos Santos foi preso em Búzios, no Rio. Há, ainda, três foragidos.
Sgundo o delegado Alexandre Leão, da Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte, foram apreendidos dólares, mais de R$500 mil em pedras preciosas e grande quantidade de documentos.
De acordo com as investigações, que vinham sendo feitas desde 2004, os diamantes eram transportados de cidades de Minas Gerais, do Estado do Rio, de Mato Grosso e Rondônia para Belo Horizonte e então exportados irregularmente para a Bélgica, Alemanha e Israel.
- A quadrilha comprava pedras irregularmente e a origem era atestada pelo certificado Kimberley - afirmou Leão.
O delegado disse ainda que existe a suspeita de ligações da quadrilha com grupos de guerrilhas na África e, ainda, com terroristas árabes.
- As pedras são provavelmente extraídas de garimpos ilegais, localizados em áreas de proteção indígena ou ambiental em Minas, Rondônia e Mato Grosso, bem como de áreas de conflito armado na África - informou.
De acordo com a Receita Federal, para acobertar a origem das lavras, os envolvidos utilizaram testas-de-ferro, empresas de fachada e mineradoras que extraem apenas areia e cascalho, para emissão de documentos fiscais, como supostos fornecedores dos diamantes.
A filha da comerciante Viviane Albertina dos Santos, a estudante universitária Thaís Santos Pompeu, de 22 anos, confirmou que a família mantém o comércio de pedras preciosas, mas diz que as negociações são legais. Segundo a Polícia Federal, Viviane Albertina dos Santos é suspeita de movimentar cerca de US$1 milhão por ano.
Emissões de certificados Kimberley são suspensas
O Ministério Público Federal bloqueou seis contas suspeitas em paraísos fiscais. A Polícia Federal informou que os pontos de saída dos diamantes eram o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), passando pelo Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte.
A direção do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) determinou a suspensão das emissões de certificados Kimberley, documento fundamental para a exportação de diamantes brutos do Brasil. Também foi paralisada a validação dos certificados já emitidos. A direção do DNPM, em nota, afirma que não tem conhecimento de fatos que desabonem a conduta de Luiz Eduardo Machado de Castro.

O Globo, 11/02/2006, O País, p. 9

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