O Globo, O País, p. 13
20 de Dez de 2006
PF prende nove por venda de madeira de reserva
Um dos presos por exploração ilegal em fazenda do governo de São Paulo seria do MST; movimento nega
Jucimara de Pauda Especial para O Globo
A Polícia Federal e o Ministério Público Estadual em Ribeirão Preto prenderam ontem os integrantes de uma quadrilha suspeita de vender ilegalmente madeira da Estação Experimental de São Simão, uma reserva florestal pertencente ao governo do Estado de São Paulo. Foram presas nove pessoas e cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em São Simão, Santa Rosa de Viterbo, Iacanga, no interior de São Paulo, e em Poços de Caldas, Minas Gerais.
Entre os presos estão Antonio Valentim, o Gaúcho, que teria ligações com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O MST nega que ele pertença ao movimento. A operação, batizada de Pinóquio, contou com a participação de 60 agentes da Polícia Federal.
Gaúcho foi surpreendido pelos agentes no início da manhã, em sua casa, ao lado dos sete filhos e da mulher.
- Estamos desempregados, e aqui todo mundo vive disso (exploração da madeira da reserva). Se você tem um monte de filho e não tem o que comer, não tem opção. Todo mundo tira madeira daqui - disse Gaúcho, que invadiu e mora no local há 11 anos.
- A investigação ocorre desde abril, e identificamos vários madeireiros que, em conluio com o Gaúcho, o principal explorador da estação experimental do estado, comercializavam a madeira.
Apuramos que o estado deixa de arrecadar cerca de R$ 1 milhão por ano com a atuação dessa organização criminosa.
Como eles agiam há dez anos, os prejuízos são de R$ 10 milhões - disse o promotor Tiago Cintra Essado, um dos coordenadores da operação.
Segundo o promotor, a ação da quadrilha devastou metade de uma área de preservação ambiental de 2.700 hectares.
- Levantamento feito pelo Ministério Público constatou que existem 80 fornos para carvão no local - disse o promotor.
O delegado da Polícia Federal Fernando Battaus, que comandou a operação, disse que nos próximos dias decide se pede ou não a prorrogação das prisões das pessoas que foram detidas. Todas elas foram autuadas por exploração ilegal de madeira e receptação dolosa.
MST nega vínculo com explorador preso
Durante a operação, os agentes federais afirmaram que Gaúcho faz parte do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Os líderes do MST na região de Ribeirão Preto negam a ligação.
O promotor Essado não quis afirmar se o grupo pertence a movimentos organizados de luta pela terra:
- Não investigamos movimentos e não podemos afirmar se existe o vínculo com o MST. As pessoas que ocuparam a área em 1996 fazem parte de uma organização criminosa e estão travestidas com o adjetivo de "sem-terra"; possuem veículos novos, casas de tijolos, e vivem da exploração de madeira, abastecendo serrarias, resiníferas e madeireiras da região, bem como de boa parte do Estado, havendo notícias de abastecimento até do Estado de Minas Gerais.
Segundo a PF, foram apreendidos com os envolvidos na quadrilha duas armas de fogo, caminhões, moto-serras e tratores. Outro crime identificado pela investigação foi a receptação dolosa, por parte de proprietário de serrarias da região de Ribeirão Preto, da madeira ilegalmente retirada do horto florestal.
O Globo, 20/12/2006, O País, p. 13
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