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PF prende 16 madeireiros no Para e procura mais 16

OESP, Geral, p.A14
23 de Jan de 2004

PF prende 16 madeireiros no Pará e procura mais 16 Todos são acusados de falsificar documentos, sonegar impostos e destruir a floresta
CARLOS MENDES Especial para o Estado
BELÉM - A Polícia Federal prendeu ontem 16 empresários do setor madeireiro acusados de falsificação de documentos públicos, sonegação de impostos e abate clandestino de árvores da floresta amazônica. A operação Feliz Ano Velho, que conta com 110 agentes da PF de Brasília e do Pará, deverá efetuar 32 prisões em oito municípios paraenses. Os mandados foram assinados pelo juiz federal Rubens Rollo D'Oliveira.
De acordo com os procuradores da República no Pará, Felício Pontes Júnior e Ubiratan Cazetta, o esquema criminoso, descoberto em novembro pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), envolve 114 empresas acusadas de forjar documentos para a venda ilegal de 39 mil metros cúbicos de madeira. Além de derrubar mais de 3 milhões de árvores, os madeireiros sonegaram cerca de R$ 40 milhões em impostos.
"Com as prisões, começamos a separar o joio do trigo e a valorizar o setor madeireiro que trabalha na legalidade", disse o gerente do Ibama no Pará, Marcílio Monteiro. Segundo ele, a conexão criminosa das madeireiras no Pará é articulada com empresas de Mato Grosso.
As prisões começaram às 6 horas. Os empresários foram levados para celas na sede da PF. Eles poderão ser transferidos para a Penitenciária de Marituba.
Alguns advogados prometiam ingressar com pedido de habeas-corpus ainda ontem.
Fraude - A falsificação de Autorizações de Transporte de Produtos Florestais foi comprovada pelo Instituto Nacional de Criminalística da PF. Os fraudadores movimentaram grandes quantidades de produtos florestais controlados e até mesmo proibidos. Na Europa, o metro cúbico de mogno chega a valer US$ 1.500.
Os municípios com mais irregularidades são Tailândia, Tomé Açu, Breu Branco, Paragominas, Marabá, Mãe do Rio e Moju. Sindicatos das indústrias madeireiras paraenses criticaram as prisões, acusando o Ibama de "exigências absurdas" para permitir a extração e comercialização de produtos florestais.
(Colaborou Edson Gillet)

OESP, 23/01/2004, p. A14

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