Gazeta do Povo-Curitiba-PR
18 de Dez de 2001
Madeira estaria saindo com pagamento de propina
A Polícia Federal de Paranaguá está investigando a denúncia de que funcionários do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) estariam facilitando a saída de mogno do país pelo porto da cidade. A informação chegou à delegacia por meio de um bilhete anônimo, denunciando que fiscais do Ibama deixariam de conferir cargas de madeiras em troca do pagamento de propina. O órgão ambiental informou que caso seja confirmada a irregularidade será aberta uma sindicância para investigar o caso.
O delegado Evaristo Kuceki conta que a carta enviada à delegacia trazia a denúncia de que o fiscal Diney de Carvalho estaria cobrando R$ 1,00 por cada fardo - que contém um metro cúbico - que deixasse de fiscalizar. Com isso, estariam saindo do Porto de Paranaguá cargas de mogno com notas de outros tipos de madeira, cuja a exportação está liberada. Kuceki conta que na carta a pessoa dizia que a empresa Robco Madeiras Ltda teria exportado mogno serrado como cedro.
Kuceki diz que Carvalho foi interrogado e que em seu depoimento ele teria negado a informação. "Mas ele admitiu que a letra do bilhete é muito parecida com a sua", comenta o delegado. Agora a polícia está realizando perícia para saber se a letra realmente é do fiscal do Ibama. Pelo bilhete, que teria sido escrito por Carvalho, a cobrança era realizada por outro fiscal do porto, que também será convocado para prestar depoimento na PF.
Atualmente o Porto de Paranaguá é um dos que mais exporta mogno no país. A possibilidade da fiscalização ter falhas, leva as autoridades a acreditarem que a madeira é trazida do Pará (um dos maiores produtores de mogno) para o Paraná justamente por este motivo.
O chefe de fiscalização do Ibama no Paraná, Paulo Roberto Mattoso Dittert, também não descarta essa possibilidade. "Isso pode estar ocorrendo". O Porto de Paranaguá exporta por ano 1,2 milhão de metros cúbicos de madeira.
A movimentação de mogno no País está proibida há dois meses, a partir de uma portaria do Ibama. "Na realidade a determinação ocorreu para que os ficais pudessem saber realmente se o mogno que está sendo explorado vem de áreas de manejos ou de localidades irregulares", afirma Mattoso. Ele comenta, que hoje a maior parte do mogno está em áreas INDÍGENAS ou da união.
A última apreensão de mogno em Paranaguá ocorreu no início do mês. A carga era de 1,1 mil metros cúbicos.
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