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PF indicia secretarios do governo do Amazonas

O Globo, O Pais, p.11
27 de Ago de 2004

PF indicia secretários do governo do Amazonas
Jailton de Carvalho
BRASÍLIA. As investigações da Operação Albatroz, da Polícia Federal, estão deixando o núcleo central da equipe do governador do Amazonas, Eduardo Braga (PPS), em situação complicada. Ontem, os secretários da Fazenda, Isper Ibrahim Lima, e de Infra-Estrutura, Fernando Elias, prestaram depoimento à PF e foram indiciados por formação de quadrilha e advocacia administrativa. Os dois são acusados de envolvimento com um esquema de desvio de recursos públicos supostamente chefiado pelo deputado estadual Antônio Cordeiro (sem partido), que também já foi indiciado pela PF.
Com isso sobe para cinco o número de auxiliares do primeiro escalão do governo do Amazonas associados à organização responsabilizada pelo desvio de R$ 500 milhões dos cofres públicos nos últimos dez anos. O delegado Rodrigo Fernandes, que está à frente das investigações da Operação Albatroz, indiciou nos últimos dias o ex-secretário de Governo Ari Moutinho, o ex-secretário de Fazenda Alfredo Paes, o ex-secretário de Infra-Estrutura e o ex-presidente da Comissão Geral de Licitação do Estado João Gomes Vilela.
Ibrahim Lima e Elias prestaram depoimento na PF à tarde e, no fim do interrogatório, foram indiciados. Como os outros ex-auxiliares de Braga afastados do governo, Ibrahim e Elias são acusados de conceder facilidades à Tetoplan, empreiteira do deputado Antônio Cordeiro, que mantém vários contratos com o governo estadual. Segundo as investigadores do caso, Elias dava a Cordeiro acesso ao cronograma de obras que seriam contratadas pelo governo.
A partir dessas informações, Cordeiro tinha condições de sair na frente dos concorrentes e se preparar para as futuras licitações antes mesmo do lançamento dos editais destes serviços. Os investigadores sustentam também que, depois de vencer licitações, supostamente direcionadas, a Tetoplan recebia tratamento prioritário no momento da liberação de recursos pela Secretária da Fazenda. Para a PF, Ibrahim e Elias estavam defendendo interesses privados dentro do serviço público.
As investigações da Operação Albatroz começaram há dois anos. Há duas semanas, a PF prendeu 20 políticos, empresários e servidores públicos do grupo, entre eles a mulher de Cordeiro, Edinéia de Alencar. Na quinta-feira passada, todos foram soltos para acompanhar o inquérito em liberdade. O Tribunal Regional da 1 Região determinou a liberação dos presos a partir de um parecer do procurador regional da República Carlos Eduardo de Oliveira Vasconcelos. O procurador alegou que, com os acusados soltos, a PF teria prazos mais longos para ampliar as investigações.
Mas os policiais discordaram, dizendo que os acusados terão mais chances de fazer movimentações financeiras e se desfazer de bens que poderiam ser confiscados. No início da noite, Eduardo Braga divulgou uma nota criticando o indiciamento de seus auxiliares pela PF.
O governo do estado estranha a forma como está sendo conduzido este processo, uma vez que não há, nos autos do inquérito, qualquer motivo para indiciamentos de pessoas que servem ao estado”, diz o texto. O governador afirma ainda que não não aceita e repudia a exploração política das informações decorrentes do processo investigatório”. O governador não informa quem e nem diz como o caso estaria sendo explorado politicamente.

O Globo, 27/08/2004, p. 11

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