OESP, Vida, p. A27
17 de Nov de 2011
PF abre inquérito para investigar vazamento no Rio
Alexandre Rodrigues
Sergio Torres / Rio
A Polícia Federal abre inquérito hoje para investigar o vazamento de petróleo que ocorre desde o dia 8 na plataforma da Chevron, na Bacia de Campos (RJ). O delegado Fabio Scliar quer saber se a quantidade de óleo que vazou corresponde à que foi informada pela empresa. Ele afirmou que só não abriu inquérito ontem por questões burocráticas.
A mancha já é avistada do espaço. Imagens captadas por satélite mostram que o óleo ocupava, há dois dias, 2.379 quilômetros quadrados. A Chevron continua negando que o vazamento tenha alcançado tal volume, pelo menos dez vezes maior que o divulgou inicialmente.
Fotografadas pela Nasa (a agência espacial dos EUA), as imagens foram analisada pela ONG SkyTruth, primeira instituição a dimensionar o vazamento de petróleo ocorrido no ano passado no Golfo do México, em poço operado pela British Petroleum (BP). Na ocasião, a conclusão do SkyTruth foi repudiada. Mais tarde, confirmou-se.
Fundador da ONG, o geólogo John Amos escreveu em seu site que, para formar uma mancha desse tamanho, o fluxo de fluido no poço foi de pelo menos 3,7 mil barris por dia, bem mais que os 330 barris que a americana Chevron comunicou à Agência Nacional do Petróleo (ANP). Cada barril tem capacidade para armazenar até 159 litros de óleo.
Segundo Amos, já no dia seguinte ao vazamento se notava, nas fotografias tiradas por satélite, a existência da mancha de petróleo se espalhando da área indicada pela Chevron. Naquele dia - quinta-feira da semana passada -, Amos estimou que a mancha era formada por óleo capaz de encher até 14,9 mil barris.
Passados nove dias do início do vazamento, a Chevron informa que reduziu o fluxo do óleo que vaza do poço, a 120 km da costa fluminense, na altura do município de Campos. Segundo nota divulgada anteontem, a empresa sustenta que as ações de controle do vazamento "foram bem-sucedidas". "Não há indícios de qualquer fluxo de fluido no poço", diz o comunicado, que estima a mancha em 63 quilômetros quadrados, formada por óleo que encheria 880 barris.
Em nota, a ANP informou que o poço começou ontem a ser cimentado pela Chevron. A nota diz que imagens feitas pela petroleira "indicam redução do vazamento em relação ao dia 11/11, quando era estimado pela concessionária em 220 a 330 barris por dia". "A mancha de óleo está se dispersando e se afastando do litoral brasileiro. Essa dispersão gera um aumento da superfície de mancha, com menor densidade de óleo. Essa diluição é resultado do trabalho de dispersão mecânica realizada por navios que se encontram no local e por condições climáticas", divulgou a ANP, que abriu processo administrativo para a investigação do vazamento, mas ainda não fala em multa.
A agência diz que mantém uma equipe no local para acompanhar o combate à mancha. Na sexta-feira passada, o diretor-geral Haroldo Lima disse que a Chevron será multada.
No Rio, só hoje o governo estadual começa a se mobilizar. A Secretaria Estadual do Ambiente informou que um representante do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) tentará sobrevoar a área, mas depende de um convite da Marinha. Amanhã, o secretário Carlos Minc também planeja fazer um sobrevoo sobre a área onde está a mancha.
O Ministério Público Federal, no Rio, informou que acompanha os desdobramentos do caso. É possível que proponha à Justiça a abertura de uma ação para identificar as responsabilidades pelo derramamento de óleo.
Ibama mantém silêncio sobre acidente
Responsável pela verificação das dimensões do vazamento de petróleo, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) limitou-se ontem a informar que seus técnicos acompanham o cumprimento do plano de emergência da petroleira.
A causa provável do acidente, segundo a Chevron, é uma falha geológica localizada a cerca de 150 metros de um poço injetor que estava sendo perfurado. O Ibama ainda não confirmou ou rechaçou a versão apresentada pela empresa dos Estados Unidos. A empresa informou que a mancha segue em direção sudeste, afastando-se da costa.
A Petrobrás é sócia da Chevron no campo de Frade, com 30% de participação no empreendimento. A petroleira americana, com 51,7%, é a operadora responsável pelas operações. A parceria é complementada pelo consórcio Frade Japão Petróleo, com os 18,3% restantes. O poço produziu 80.425 barris de petróleo equivalente por dia em setembro. / S.T.
OESP, 17/11/2011, Vida, p. A27
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