OESP, Economia, p. B8
24 de Jun de 2008
Petrobrás avalia integrar refinarias com biomassa
Unidades premium previstas para o Nordeste, voltadas para o mercado externo, já poderão se construídas levando em conta essa mudança
Mônica Ciarelli
O gerente de Desenvolvimento de Negócios Internacionais de Biocombustíveis da Petrobrás, Fernando Cunha, revelou que a estatal estuda instalar unidades integradas de biomassa nas refinarias premium no Nordeste. No início do mês, a companhia informou que uma das refinarias, que será instalada no Ceará, vai custar cerca de US$ 11 bilhões.
"A refinaria premium da Petrobrás já pensa nessa questão, de refinar petróleo já com a biomassa; são as biorrefinarias", disse o executivo.
As duas refinarias terão a produção voltada para o mercado externo, hoje carente de derivados considerados médios, como o diesel e o querosene de aviação, e devem entrar em operação em 2014.
Além da unidade cearense, com capacidade para 300 mil barris por dia, a estatal negocia a instalação de uma refinaria premium no Maranhão. Cunha não detalhou, porém, qual seria a capacidade de produção de biocombustíveis nas unidades.
Em palestra, ontem, na Câmara de Comércio Brasil-França, ele informou que a Petrobrás tem feito contato com empresas da Espanha e França para a eventual instalação de uma unidade de biocombustíveis em solo europeu tendo como matéria-prima produtos brasileiros.
"Estamos vendo a possibilidade de desenvolver projetos de biocombustíveis na Europa. Pode ser uma planta de biodiesel, já que a matriz energética da Europa é o diesel", afirmou.
O gerente fez questão de ressaltar que as conversas ainda estão em fase embrionária. Mas admitiu que a empresa foi "procurada por entidades européias para eventualmente estudarmos projetos de biocombustíveis na Europa."
Além de França e Espanha, o Cunha informou que a Petrobrás vem conversando ainda com a Colômbia sobre projetos nessa área. A idéia de parceiras com esses países pode evoluir também para a área de distribuição de combustíveis. "Para produzir, tem que ter rede de postos ou se associar ou comprar rede de postos quando for um grande player de etanol", afirmou.
Segundo o executivo, a segunda geração do etanol, que prevê a produção do combustível a partir de rejeitos vegetais, poderá estar disponível em escala comercial já em 2015. Nos Estados Unidos, as projeções apontam para três anos antes.
A área de bicombustíveis da Petrobrás prevê investimentos de US$ 1,5 bilhão até 2012. Deste total, quase metade será destinada à construção de dutos. A área de biodiesel ficará com 30% do orçamento previsto, com o objetivo de atingir, naquele ano, a produção de 1,2 bilhão de litros. Em 2015, a empresa planeja chegar aos 2,7 bilhões de litros.
País deve exportar mais etanol, prevêem usineiros
Wellington Bahnemann
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) revisou para cima sua projeção de exportação do etanol brasileiro na safra 2008/2009, por conta da alta do preço do milho que elevou o custo de produção do biocombustível no mercado americano.
"Já trabalhamos que o volume a ser exportado nesta safra fique em torno de 4,5 bilhões de litros a 5 bilhões de litros', disse o presidente da entidade, Marcos Jank, em entrevista ao 'Estado'. Antes, a expectativa da Unica era de que as exportações brasileiras somariam 3,9 bilhões de litros.
A mais recente alta do preço do milho decorre da crise de produção enfrentada pelos produtores americanos do Meio-Oeste, que estão sendo afetados pela cheia do Rio Mississippi.
Com o aumento do nível do rio, áreas de produção de milho em Estados como Iowa e Illinois estão sendo alagadas. "Com isso, o milho está custando US$ 8,00 o bushel (25,4 quilos)", afirmou Jank.
O aumento da matéria-prima já tem levado, até mesmo, algumas empresas americanas a paralisarem a produção de etanol, o que abre oportunidade para os produtores brasileiros suprirem essa lacuna no mercado dos EUA.
OESP, 24/06/2008, Economia, p. B8
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