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Pesquisadores criam 'corredor' submarino para estudar litoral de SP ao PR

G1 - http://g1.globo.com/
Autor: João Amaro
19 de jul de 2018

Pesquisadores criam 'corredor' submarino para estudar litoral de SP ao PR
19/07/2018 05h12

Por João Amaro, G1 Santos

Iniciativa visa monitoramento de ao menos quatro espécies ameaçadas de extinção.

Um grupo de pesquisadores se uniu para apresentar o projeto de um corredor ecológico entre as costas dos estados de São Paulo e Paraná. A ideia, que também inclui a instalação de bases de estudo no fundo do mar, visa o monitoramento de pelo menos quatro espécies marinhas ameaçadas de extinção e, também, de recifes na Laje de Santos, rochedo que fica a 40 quilômetros da costa da cidade do litoral paulista.

A iniciativa é liderada pelo Projeto Mantas do Brasil, patrocinado pela Petrobras, pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), em parceria com o Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), sediado no litoral paranaense e que estuda, além da Mobula birostris, a Raia-manta, a Chelonia mydas, mais conhecida como Tartaruga-verde.

De acordo com Robin Loose, coordenador do Rebimar, a ideia é que o projeto saia do papel até 2019. "Criaremos uma proposta de corredor ecológico, com áreas destinadas à unidade de conservação, para ser o refúgio de espécies ameaçadas", explica.

Além das raias e tartarugas, a parceria também quer estudar detalhadamente espécies como o Epinephelus itajara, o Mero, e o Sphyrna zygaena, o Tubarão-martelo. O projeto deverá ser apresentado a órgãos como o Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

De acordo com o coordenador de pesquisas do Projeto Mantas do Brasil, o biólogo e mergulhador Léo Francini, a criação do corredor é fundamental para que as espécies observadas não acabem parando em armadilhas. "Não adianta termos uma área protegida se o animal, que é migratório, acaba capturado no meio do caminho por um barco de pesca. Esses corredores visam conectar essas áreas, para que essas espécies fiquem protegidas no caminho também", diz.

Segundo Francini, na parceria, o Projeto Mantas presta ajuda com o apoio logístico e conhecimento das áreas de mergulho exploradas. "Vamos tentar estabelecer uma conexão com os animais, como as raias-mantas, que aparecem lá no verão e aqui no inverno", diz.

Perigo em áreas de porto
Entre os dados alarmantes levantados tanto pelo Mantas do Brasil quanto pelo Rebimar, além da identificação de redes fantasma e outros petrechos de pesca que prejudicam as espécies, está a presença de um vírus que acomete, principalmente, as tartarugas.

"Próximo a áreas portuárias, as tartarugas, tanto no litoral paranaense quanto as que ficam próximas à Laje de Santos, estão debilitadas, com baixa imunidade e adquirindo o fibropapiloma vírus", explica Loose. A doença não tem cura e cria tumores que as impedem de nadar, e nem sempre as intervenções cirúrgicas são suficientes para corrigi-las.

Outra iniciativa da parceria é a instalação do chamado Arms (Sistema de Monitoramento de Recife Artificial, em inglês). São equipamentos instalados nos recifes que acabam colonizados naturalmente. Depois, são retirados e estudados.

"Isso tira a necessidade de o mergulhador ter que ir ao recife e raspar uma parte dele. Há unidades instalados na Laje e no Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, no Paraná, e nas ilhas de Anchieta e de Alcatraz, na costa paulista", conta Loose.

Desafio
Agora, os estudos vão se concentrar em reunir os argumentos necessários para que o corredor possa ser criado e, assim, contribuir para que as quatro espécies ameaçadas de extinção possam sair dessa lista. Antes, porém, vários obstáculos precisarão ser vencidos, como o político.

"Um dos maiores problemas [a política]. Alguns parques ambientais são criados por decretos, sem que haja uma consulta a quem estuda, frequenta ou vive daqueles locais. Não são feitos estudos preliminares, delimitação ou zoneamento. Com uma canetada se cria, e isso atrapalha", diz Loose.

"Hoje, os dois projetos tentam provar que essas espécies atravessam esse caminho. Esse é o argumento para a criação dos corredores, e para reafirmar que eles necessitam ser protegidos", completa Francini.

https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2018/07/19/pesquisadores-…

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