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Pesquisa revela contaminacao de ambiente

GM, Saneamento & Meio Ambiente, p.A10
03 de Jun de 2004

Pesquisa revela contaminação de ambiente
A organização não-governamental Greenpeace lançou campanha para que o Brasil incorpore na legislação os princípios da substituição e da precaução, a exemplo do que deverá ocorrer brevemente na legislação da União Européia. Um artigo publicado pelo jornal londrino "The Guardian", assinado pelo cientista Jeremy Rifkin, mostra que o custo das implicações da adoção desses princípios, para as empresas norte-americanas que exportam para a Europa, será de cerca de US$ 20 bilhões.
Ao anunciar a nova campanha, o Greenpeace divulgou também uma pesquisa sobre a exposição dos lares e dos ambientes de trabalho ao risco de substâncias tóxicas. Foram coletas amostras de poeira em casas de quatro cidades brasileiras, em gabinetes de deputados federais e senadores e no prédio do Ministério do Meio Ambiente, em Brasília. A conclusão é que contêm quantidades não desprezíveis de substâncias químicas perigosas.
O relatório "Substâncias Químicas Tóxicas na Poeira de Lares e de Ambientes de Trabalho no Brasil" , da Campanha Veneno Doméstico, do Greenpeace, revela que as substâncias químicas contaminantes são utilizadas na fabricação de utensílios domésticos, tais como tecidos, televisões, cosméticos e brinquedos.
Em entrevista à imprensa em Brasília, um representante do Greenpeace sugeriu que se incluam nas leis exigências que protejam o meio ambiente e os cidadãos dos perigos oferecidos por tais substâncias. A organização pede à comissão que participa do Programa Nacional de Segurança Química (Pronasq) que não deixe escapar a oportunidade de propor medidas adequadas para substituir as substâncias perigosas por alternativas não tóxicas.
"Esse relatório reforça outros estudos semelhantes desenvolvidos pela organização e revela o fato de que a contaminação por substâncias químicas tóxicas é generalizada. Ela está ocorrendo dentro de nossas casas e escritórios. As pessoas As pessoas conhecem ou suspeitam da poluição, mas não imaginavam que seus objetos domésticos e de uso diário sejam tóxicos", disse John Butcher, coordenador da Campanha contra Substâncias Tóxicas do Greenpeace no Brasil.
Em relação aos cinco primeiros grupos de substâncias listados, segundo a ONG fabricantes alegam que as substâncias estão incorporadas nos produtos e não representam risco. O relatório do Greenpeace revela que "as substâncias perigosas podem contaminar nossas casas e nossos corpos, pela inalação, ingestão ou tato".
"Essas substâncias apresentam três características: são tóxicas; suas moléculas quebram com dificuldade e lentidão e se acumulam em diferentes tecidos de animais " afirma Butcher.

Substâncias perigosas em toda parte
As análises feitas pelo Greenpeace revelaram quantidades não desprezíveis de um grupo de dez substâncias tóxicas presentes em lares e ambientes de trabalho no Brasil:
alquilfenóis, disruptores hormonais usados em cosméticos e outros produtos de higiene pessoal;
ftalatos, que são prejudiciais ao sistema reprodutor e são usados principalmente para tornar o PVC maleável, encontrado em brinquedos, interiores de carros e cabos. Também é usado em perfumes e cosméticos, tintas, adesivos e vedadores;
retardadores de chama bromados, que interferem nos hormônios, usados como substâncias que retardam a propagação do fogo;
parafinas cloradas, que podem causar câncer, usadas em tintas, plásticos e borrachas;
organoestânicos, substâncias tóxicas ao sistema imunológico e usados como estabilizadores em plásticos (especialmente em PVC) e como tratamento contra mofo e poeira (ácaros) em alguns carpetes e pisos de PVC;
bifenilas policloradas (PCBs), que podem causar problemas nos sistemas imunológico e reprodutor e são usadas em transformadores elétricos e capacitadores;
hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, que são potencialmente carcinogênicos.

GM, 03/06/2004, p. A10

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