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Pesquisa reproduz peixe em extincao

GM, Rede Gazeta do Brasil, p.B13
27 de fev de 2004

Pesquisa reproduz peixe em extinção

27 de Fevereiro de 2004 - Desova da Piracanjuba é feita em laboratório da Universidade Federal de Santa Catarina; estudo pode manter espécie. O Laboratório de Biologia e Cultivo de Peixes de Água Doce (Lapad) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) conseguiu obter a desova da piracanjuba (Brycon orbignyanus) espécie de peixe de água doce apontada como criticamente em perigo de extinção na Lista Vermelha da Fauna Ameaçada de Extinção no Rio Grande do Sul. A desova ocorreu o mês passado na Estação de Piscicultura de São Carlos (EpisCar), em Santa Catarina. Localizada nas proximidades das margens do rio Uruguai, a Estação dá suporte ao desenvolvimento das pesquisas direcionadas aos estudos de peixes de água doce. De acordo com o professor Evoy Zaniboni Filho, coordenador do Lapad, esta é a primeira desova em laboratório da piracanjuba nativa do rio Uruguai e seu impacto deve ser de grande importância para preservação da espécie. "Esta desova representa uma possibilidade de garantir a manutenção dos estoques naturais da piracanjuba", comemora. A piracanjuba, opularmente conhecida como bracanjuva, no Rio Grande do Sul) é uma das espécies de peixes com população mais reduzida na bacia do rio Uruguai. O desaparecimento em grandes trechos do rio revela sua intolerância às alterações introduzidas no ambiente. O desmatamento da vegetação ao longo do rio e a conseqüente redução de suas fontes de alimento (se alimenta principalmente de frutas e sementes), além da degradação da qualidade da água em função da poluição, estão entre as causas de seu desaparecimento. A pesca intensiva do peixe, considerado um dos mais saborosos na água doce e apreciado na pesca esportiva, também colaborou com a redução drástica de seus estoques naturais. Diante destes problemas, a espécie recebe atenção especial dos pesquisadores da UFSC que têm o apoio financeiro da Tractebel Energia, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Um dos maiores entraves para andamento dos trabalhos é a dificuldade de coleta dos exemplares na natureza. Além disso, a piracanjuba é altamente sensível ao manejo de captura e transporte do rio até a EpisCar. O sucesso na desova deve fortalecer as pesquisas com foco no desenvolvimento de técnicas de cultivo e manejo da espécie e em utilizá-la em programas futuros de repovoamento, depois que estudos permitam o reconhecimento dos melhores locais para soltura. A América do Sul conta com a maior diversidade de peixes de água doce do mundo. Só o Brasil tem mais de 3 mil espécies classificadas. Em Santa Catarina, mais de 250 já foram descritas e outras continuam a ser cadastradas. A criação de peixes de água doce no estado também apresenta números expressivos. Essa atividade corresponde por 19% da produção nacional, gerando incremento na renda de mais de 20 mil famílias. No entanto, devido ao sistema de policultivo (cultivo de diversas espécies no mesmo açude) consorciado com a suinocultura, a piscicultura apresenta baixa produtividade e tem sido associada á degradação ambiental em algumas regiões. Uma outra característica é a prevalência de espécies exóticas, especialmente tilápia e carpa, nestes cultivos. O desenvolvimento de tecnologia para o cultivo de espécies nativas, como a piracanjuba, com potencial para a piscicultura se apresenta como uma alternativa para a atividade. kicker: Pesca intensiva e poluição agrediram o peixe de água doce (Gazeta do Brasil15)(de São Paulo)
GM, 27-29/02/2004, Rede Gazeta do Brasil, p.B13

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