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Pesquisa com besouros amazônicos aponta efeitos de mudanças climáticas e incêndios na Flona

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Autor: - G1 / FolhaPA
03 de mar de 2020

Estudo é uma parceria entre entre universidades nacionais e estrangeiras e Embrapa. Estudos foram aplicados de 2015 a 2016 na região.

Uma pesquisa apontou redução na população de besouros "rola-bostas" na Floresta Nacional do Tapajós (Flona), em Santarém, no oeste do Pará, ligada às mudanças de uso da terra e dos distúrbios climáticos na floresta amazônica. A pesquisa foi realizada de 2015 a 2016.

O grupo de pesquisadores brasileiros e do exterior estudou os impactos da seca e das queimadas, intensificadas por um fenômeno de El Niño extremo ocorrido em 2015-2016, na população de besouros rola-bostas na Flona.

Essa espécie de besouro foi escolhida pelos processos ecossistêmicos e funções desempenhadas para a manutenção da floresta.

"É um grupo interessante por causa do grande número de espécies. São cerca de cem espécies diferentes aqui na região da Flona Tapajós. Eles possuem esse nome porque enterram as fezes de animais, fazendo bolinhas que rolam para dentro dos túneis que cavam no solo", explica o professor Rodrigo Fadini, da Ufopa.

Além da grande variedade de espécies, os besouros são responsáveis por importantes serviços ambientais. Eles são dispersores secundários de sementes, espalhando as sementes que já haviam sido primariamente dispersadas através das fezes de outros animais maiores. Dessa forma, os rola-bostas colaboram para o processo de regeneração da floresta. Além disso, promovem a reciclagem da matéria orgânica, adubando o solo ao enterrar as fezes, e realizam a bioturbação, agindo como tratores, revolvendo a terra de baixo para cima.

Início dos estudos
Em 2010, os pesquisadores definiram os locais para a coleta dos besouros, áreas representando variações de degradação da floresta. "A ideia era estudar mudanças nas respostas da biodiversidade em diferentes florestas e ao longo do tempo, levando em conta como o sistema muda em função de mudanças do uso da terra, como a extração madeireira", disse Fadini.

Besouros foram coletados em 2010 e enviados para identificação nas universidades federais de Lavras (UFLA) e do Mato Grosso (UFMT). A amostra de besouros coletada em cada local foi avaliada segundo os critérios de riqueza de espécies, que avaliam a variedade de espécies presentes no local, e de abundância, ou seja, o número de besouros de cada espécie.

Além disso, o grupo mediu as funções que os besouros desempenharam, como a dispersão de sementes e o enterro de fezes. "Colocamos uma quantidade conhecida de fezes para atração dos besouros. Depois medimos a quantidade restante para saber o que foi removido por eles. Nós também misturamos um número conhecido de bolinhas coloridas junto às fezes, simulando sementes que estariam naturalmente presentes. Um tempo depois voltamos para recolher as fezes e contar quantas bolinhas restavam. Assim pudemos avaliar o serviço de dispersão de sementes e nutrientes prestado por aqueles besouros", detalha o biólogo.

Efeitos do El Niño e resultados
Em 2015-2016, a Amazônia sentiu os efeitos de um fenômeno El Niño bastante intenso e parte das áreas estudadas em Santarém pegou fogo. Por conta dessa ocorrência, os pesquisadores passaram também a estudar o fogo. "Pudemos avaliar, ao longo do tempo, os efeitos nas áreas que queimaram e nas áreas que não queimaram", destacou Fadini.

Os pesquisadores voltaram nas áreas selecionadas em 2010 e fizeram mais duas amostragens, uma cerca de 3 a 6 meses após a passagem do fogo, em 2016, e outra no período de 15 a 18 meses depois das queimadas, em 2017.

Houve uma redução drástica em todos os indicadores entre os anos de 2010 e 2017:

a quantidade de espécies caiu de 75 para 68;
a abundância foi de 8.070 para 2.648;
serviço de dispersão de sementes, com registro inicial de 75,1%, foi reduzido para 59,2%;
e o enterro de fezes, que no começo era de 74,1%, foi para 32,1%.
"O El Niño teve um efeito severo sobre os besouros, mas ele foi ainda mais grave nas áreas que foram manejadas e queimadas. O fogo intensificou o processo de perda de biodiversidade e dos processos ecossistêmicos. A exploração florestal madeireira e as queimadas, quando atuam em conjunto, maximizam os efeitos das mudanças na biodiversidade", enfatizou Rodrigo.

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