EFE/Estadão on Line-São Paulo-SP
25 de Mai de 2006
As comunidades indígenas tendem a desaparecer, porque são "invisíveis" para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira (25) pela revista científica britânica The Lancet.
Os pesquisadores denunciam que as necessidades de saúde desses grupos - que constituem 6% da população mundial - foram ignoradas nesses objetivos, no relatório Desaparecimento, marginalizados e subestimados: uma chamada à ação para a saúde dos indígenas de todo o mundo.
Especialistas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM, em inglês) fizeram um chamado para pedir o aumento do respeito em relação aos pontos de vista dos grupos indígenas.
O relatório denuncia, por exemplo, que a esperança de vida é muito menor para os indígenas, e que o acesso dessas pessoas a ambulatórios e educação sanitária é freqüentemente pior.
Além disso, os problemas de alcoolismo, suicídios e com drogas em países desenvolvidos como Canadá, Nova Zelândia, Estados Unidos e Austrália são comuns entre a população indígena.
As políticas internacionais - que são incentivadas pelos Objetivos do Milênio - estão destinadas a potencializar os benefícios sanitários para a maioria, ignorando os assuntos relacionados à saúde que afetam os grupos minoritários, entre eles as comunidades indígenas, dizem os pesquisadores.
"Os Objetivos para o Desenvolvimento do Milênio, como estão estipulados hoje em dia, poderiam ser alcançados mesmo se desaparecessem povoações inteiras de pessoas indígenas", observa a principal autora do relatório, Carolyn Stephens.
Os pesquisadores advertem que o desaparecimento de comunidades indígenas terá repercussão na saúde do resto da população, já que com elas se perderia um conhecimento único sobre os benefícios da natureza na saúde e na medicina.
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