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Pesca predatória ameaça espécies

O Globo, Ciência e Vida, p. 28
05 de jan de 2007

Pesca predatória ameaça espécies
Exploração intensa põe em risco peixes e corais em diversos oceanos

lan Herbert
Do Independent
LONDRES.

Espécies de peixes e os ecossistemas que os sustentam estão sendo destruídos por pesca de arrastão descontrolada em águas profundas, aponta um relatório científico da Sociedade Zoológica de Londres (SZL), divulgado ontem. Muitas espécies estão à mercê das redes de arrastão porque habitam em águas fora da cobertura de acordos internacionais que as preservam da pesca além dos limites de sustentação.

Governos não têm políticas de conservação eficazes

O relatório da SZL fornece uma das provas científicas mais fortes já produzidas sobre o efeito da pesca de arrastão sobre os corais de águas profundas e montes subaquáticos, que freqüentemente formam áreas biológicas ricas. O estudo suplementa uma análise científicaa recente do Fundo Mundial para a Vida Selvagem (WWF) que apontou os perigos para as espécies de peixes causados pela pesca de arrastão e algumas de suas práticas ambientalmente nocivas - sobretudo a pesca de fundo, que destrói ecossistemas inteiros do leito marinho. O WWF alertou que os estoques de peixes nas águas internacionais estavam sendo predados ao ponto de extinção porque os governos estão deixando de protegê-los. Entre as espécies ameaçadas, pela prática nociva está o atum.

- Nossa pesquisa demonstra ativamente a vulnerabilidade dos corais de mar profundo e a biodiversidade a eles associada em relação à pescaa de arrastão - concluiu Alex Rogers, pesquisador sênior da SZL. - Alguns dos corais destruídos têm milhares de anos e não serão substituídos.

O documento analisou as áreas mais favoráveis nos oceanos do mundo para a ocorrência de corais e as comparou com áreas onde os peixes são pescados comercialmente.

Os resultados mostraram que extensas áreas do Atlântico Sul, do Pacífico e do indico estão sob um risco de danos aos ecossistemas "extremamente significativo".

O relatório também mostrou que 52% dos montes subaquáticos estão localizados além das áreas controladas pelas organizações que monitoram os níveis de pesca nos oceanos. O Atlântico Sul e o Índico não são cobertos por qualquer dessas organizações, alerta a SZL.

O WWF descobriu que mesmo algumas áreas cobertas por tais organizações não dispunham de proteção porque certos países não tinham a vontade política ou a motivação comercial para impor limites de pesca.

Sociedade pede mais estudos para avaliar impacto

A SZL apelou para a realização de pesquisa nas montanhas subaquáticas e melhores estudos para avaliar o impacto da pesca de arrastão, além de mais ação governamental para impedir a pescaa predatória.

-É essencial que o ônus da prova seja deslocado para os governos e as empresas de pesca na hora de decidir se é apropriado explorar esses ecossistemas insubstituíveis - avisa Rogers.

O Globo, 05/01/2007, Ciência e Vida, p. 28

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