VOLTAR

Peru impõe toque de recolher em área de confronto

OESP, Internacional, p. A12
08 de Jun de 2009

Peru impõe toque de recolher em área de confronto
Número de mortos no conflito entre indígenas e policiais sobe para 34

AFP, BAGUA

O governo peruano decretou toque de recolher na região do vilarejo de Bagua, ao norte do país, onde indígenas e policiais iniciaram um confronto na sexta-feira. Ontem, o saldo de mortos em decorrência dos enfrentamentos subiu para 34, segundo o governo peruano. "Há 23 policiais e 11 nativos mortos", anunciou o ministro da Defesa, Antero Flores Aráoz. A informação diverge do número divulgado pelos indígenas. Segundo a Comissão de Povos Indígenas Amazônicos, de 30 a 50 civis teriam sido mortos pela polícia.

Os conflitos em Bagua começaram quando policiais tentaram desbloquear uma estrada fechada pelos indígenas em protesto contra uma lei recém-aprovada do governo que busca aumentar os investimentos privados na região. Em seguida, 38 policiais foram sequestrados pelos nativos. Segundo oficiais que sobreviveram ao sequestro, 16 dos 23 policiais mortos foram degolados ou esfaqueados pelos indígenas. O presidente Alan García disse se tratar de um ato de "barbárie e selvageria" e decretou o domingo como dia de luto pelas mortes.

No sábado, depois de 24 horas de confrontos, o Exército tomou conta da área, que fica mil quilômetros ao norte de Lima, estabilizando a situação. Ontem, em decorrência do toque de recolher - que vai das 15 às 6 horas - quase não havia movimento nas ruas.

Organizações civis que atuam no caso ainda tentam fazer com que cerca de 200 indígenas que estão escondidos em Bagua sejam levados a seus locais de origem. "Já falamos com a polícia e não deve haver problemas, mas há temor", disse o advogado Santos Esparza, responsável pela operação.

Os líderes amazônicos exigem a constituição de uma comissão nacional, da qual fariam parte representantes da Defensoria dos Povos e observadores internacionais, para "investigar os fatos e determinar os responsáveis", disse ontem Shampiom Noningo, presidente da Comissão dos Povos. Ele passou a liderar as negociações com o governo depois que Alberto Pizango, o líder anterior, teve sua prisão decretada e caiu na clandestinidade.

OESP, 08/06/2009, Internacional, p. A12

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.