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Peru cede a indígenas e revoga lei

OESP, Internacional, p. A16
16 de Jun de 2009

Peru cede a indígenas e revoga lei
Governo aceita negociar com líderes de 390 comunidades nativas, após onda de protestos

Associated Press e Reuters

Depois de mais de dois meses de protestos que provocaram a morte de 34 pessoas, além de greves e bloqueios em estradas e portos, o governo peruano aceitou ontem derrubar os dois decretos legislativos aprovados pelo Congresso que estavam no centro da disputa com as comunidades indígenas.

O anúncio foi feito no mesmo dia em que o governo peruano chamou para consultas seu embaixador em La Paz, num novo sinal da deterioração das relações diplomáticas com a vizinha Bolívia, acusada pelos peruanos de incitar os indígenas contra o governo do presidente Alan García.

Em reunião com líderes dos manifestantes, Yehude Simon, chefe do conselho de ministros do Peru, prometeu suspender o estado de emergência e o toque de recolher que haviam sido decretados na cidade de Bagua, na Amazônia peruana, onde, no dia 5, 24 policiais e 10 indígenas morreram em confrontos.

Os indígenas reclamam das leis, aprovadas no Congresso, que permitem a exploração de recursos naturais em terras reivindicadas como suas propriedades ancestrais.

"Amanhã mesmo (hoje), apresentaremos o projeto de lei pedindo ao Congresso que revogue os decretos", disse Simon. No maior sinal de recuo do governo desde o início da polêmica, ele pediu "desculpas aos nativos que se sentiram agredidos por alguma ação do governo".

A saída política para os confrontos só foi possível depois que o governo aceitou se sentar à mesa com líderes de 390 comunidades indígenas, entre elas a Associação Interétnica para o Desenvolvimento da Selva Peruana (Aidesep), cujo líder, Alberto Pizango, encontra-se asilado na Nicarágua desde que foi acusado pelo governo de promover a rebelião de Bagua.

A presidente da associação, Daysi Zapata, manifestou desconfiança sobre a negociação iniciada com o governo peruano, mas não deixou de saudar "o recuo do governo e, obviamente, a suspensão do estado de emergência". "Esperamos que isso realmente nos traga paz", disse Daysi.

ATRITO DIPLOMÁTICO

A declaração do presidente boliviano, Evo Morales, de que os protestos de indígenas na região da Amazônia peruana eram uma "grande lição" foi mal recebida pelo governo Alan García, que chamou seu embaixador em La Paz para consultas. O presidente peruano disse em diversas ocasiões que Evo está por trás das manifestações indígenas.

O chanceler boliviano, David Choquehuanca, reconheceu que a relação entre os dois países passa por um "mal momento", mas minimizou o significado da medida peruana: "É normal que um governo convoque para consulta seus embaixadores. Nós mesmos fazemos isso sempre."

OESP, 16/06/2009, Internacional, p. A16

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