Folha de S. Paulo-São Paulo-SP
12 de Out de 2003
O confinamento das populações indígenas em áreas reduzidas, principalmente naquelas localizadas próximas a centros urbanos, como é o caso das etnias guarani-kaiowa, alimenta a desestruturação familiar, o suicídio e problemas de saúde como o alcoolismo e as doenças sexualmente transmissíveis.
A constatação é do professor Antônio Brand, coordenador do programa Kaiowa da Universidade Católica Dom Bosco, de Campo Grande (MS), que há mais de 20 anos trabalha com os índios de Mato Grosso do Sul. "A questão de fundo ainda é a terra."
Em Dourados, a reserva de 3.600 hectares é cortada por duas estradas. No local vivem mais de 10 mil pessoas, o que dá quase três pessoas por hectare. Em Caarapó, outra reserva de Mato Grosso do Sul, nos mesmos 3.600 hectares vivem cerca de 2.700 pessoas.
Em Sidrolândia (70 km de Campo Grande), os terena lutam pelo reconhecimento de 17.200 hectares. Eles vivem em uma área de 2.100 hectares. A questão está na Justiça Federal há dois anos. O cacique Ageu Lourenço Reginaldo, 40, diz que não quer confronto, mas o que lhes é "de direito". Jorge Vieira, do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), enfatiza que a base do problema é a perda do território original.
Como consequência da falta de terra para plantar e sobreviver, os homens vão trabalhar nas usinas de cana-de-açúcar, distantes, muitas vezes, 200 km de casa. Permanecem por cerca de dois meses, tempo suficiente para adquirir hábitos de brancos, como o contato com prostitutas.
"Isso favorece a quebra das relações entre homem e mulher, o que provoca uma procura de contato com outra clientela, muitas vezes portadora de doenças." Brand observa que a cultura do índio não tem a carga moral da branca, por isso, é mais suscetível.
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