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Pequeno agricultor vai pedir politica integrada

OESP, Economia, p.B9
14 de Jul de 2004

Pequeno agricultor vai pedir política integrada
Produtor familiar afirma que a simples concessão de crédito não é suficiente
Vânia Cristino
BRASÍLIA - Documento que será divulgado no encerramento do 1.o Encontro Nacional da Agricultura Familiar, que se realiza em Brasília, vai pedir ao governo o desenvolvimento de uma política integrada para o setor, prevendo assistência técnica, extensão rural e pesquisa. Embora reconheçam que o volume de recursos liberados pelo governo vem aumentando, os produtores que trabalham na terra com suas famílias acreditam que só o crédito é insuficiente para o desenvolvimento desse tipo de atividade.
O encontro, que reúne agricultores de todo o País, também servirá para o lançamento de uma entidade a nível nacional que represente os pequenos produtores, nos moldes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, que reúne os empregados no setor rural, e da Confederação Nacional da Agricultura, organização onde predominam os grandes fazendeiros.
Segundo Altemir Tortelli, coordenador-geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul), nenhuma dessas duas entidades hoje representa o pequeno produtor, que vive com o que tira da terra, colocando o excedente no mercado.
Tortelli disse que a agricultura familiar já é forte em termos econômicos, sendo responsável por 40% do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário, o equivalente a R$ 56,4 bilhões. Falta, na sua avaliação, uma atuação política e sindical mais forte para que sejam ouvidas as reivindicações dos 4 milhões de famílias que vivem do que produzem no campo.
"Pelo menos 1,5 milhão de famílias têm condições de produzir mais se contarem com estímulo e capital de giro", disse Tortelli. Ele reconheceu que o governo avançou na política de crédito ao garantir recursos crescentes para a agricultura familiar. "Foram liberados R$ 4,5 bilhões na safra passada e agora o governo prometeu R$ 7 bilhões", disse. Mas os financiamentos se concentram na Região Sul, e o Programa Nacional de Agricultura Familiar não consegue chegar aos produtores mais descapitalizados.

OESP, 14/07/2004, p. B9

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