VOLTAR

Peles e couro do Pescado do Amazonas abrem oportunidade de negócios

SDS/AM - www.sds.am.gov.br
Autor: Nívea Rodrigues
31 de Jul de 2010

Apostar numa tecnologia diferenciada que proporcione a geração de renda extra no segmento do pescado. Essa é opinião de empresários do ramo de frigoríficos, que estiveram presentes na capacitação em couro de peixe, realizada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), no município de Manacapuru (a 78 quilômetros da capital), ontem, sábado (31). Na ocasião, 30 pessoas que trabalham com pescado em frigoríficos da capital e interior receberam informações acerca de técnicas para retirar de forma proveitosa a pele do couro de peixe, além de preservar para o beneficiamento.

"Nós acreditamos em uma tecnologia diferenciada. Após observar as técnicas, percebi que é um grande avanço para quem trabalha nessa área do pescado. Vale a pena investir. Eu pretendo dobrar a produção e investir nesse novo negócio, já que mais da metade do peixe tratado é desperdiçado, pois se aproveita apenas o filé. Essa é uma oportunidade de aproveitar o couro também, e de uma forma que vai valorizar ainda mais os peixes da região", explica Fernando Lins, proprietário do frigorífico Friolins, onde aconteceu a capacitação.

"Dentro dessa realidade, acredito que vale a pena investir nessa nova proposta para desenvolver o segmento do pescado. Temos em abundância a espécie aruanã e pelo que observamos, a pele desse peixe pode ser aproveitada na confecção de vários produtos do segmento da moda. Se levarmos em conta que do peixe se perde 70 por cento, vamos ter um ganho significativo", explica Campos Jr., um dos representantes de frigoríficos de Manaus, presente na ocasião.

A proposta é uma das etapas do Projeto Ama - Ame o Amazonas, desenvolvido pela SDS em parceria com a grife IODICE, O evento nesta etapa contou com a parceria da Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS) e o apoio do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (CETAM).

"Estamos incentivando o aproveitamento do pescado no Amazonas. Esse couro que antes era jogado fora, pode ser utilizando na confecção de bolsas, calçados, e outros itens do segmento da moda", acrescenta a titular da SDS, Nádia Ferreira.

Na sexta-feira (30), representantes da empresa Péltica reuniram com empresários do ramo de frigoríficos e do segmento da moda, na sede da SDS. "A iniciativa contempla essa expectativa que é transformar o potencial hoje desperdiçado em lucro através do aproveitamento econômico desses subprodutos e resíduos do pescado", destaca o diretor-presidente da ADS, Valdelino Cavalcante.

De acordo com dados da ADS, no Amazonas estimam-se que cerca de dez milhões de peixes poderiam ser fornecidos para curtumes e aproximadamente três toneladas de peles poderiam ser aproveitadas diariamente no Estado, agregando valor à cadeia produtiva. Um dos pontos altos do evento foi à amostra dos produtos acabados, fabricados a partir da matéria-prima da pele e couro das espécies regionais, como aruanã e tucunaré. A exposição apresentada foi decisiva para convencer os empresários donos dos frigoríficos locais de que a relação comercial com empresas deste ramo é um negócio altamente benéfico para todo o segmento do pescado no Estado através da valorização da matéria-prima e das amplas possibilidades de agregação de valor do potencial da cadeia.

Capacitação

O curso foi ministrado pelos profissionais Maicon Cristiano Mossmane e Paulo Roberto Kruse, ambos acumulam uma experiência na área de beneficiamento da matéria-prima há oito e 30 anos, respectivamente, só na empresa gaúcha Péltica, instalada no Rio Grande do Sul, município de Estância Velha, no Vale dos Sinos. A empresa é especializada em couros exóticos de avestruz, coelho e peixes e durante a capacitação foi feita uma exposição de produtos manufaturados entre eles bolsas, sapatos, carteiras portas-cédulas, etc.

De acordo com os critérios adotados pela Péltica, o treinamento requer alguns cuidados básicos para que a matéria-prima seja cem por cento aproveitada. São necessários, por exemplo, estabelecer tamanho mínimo, e atenção no momento da extração das peles, para evitar furos e, consequentemente, a inutilização, explicou Paulo Kruse.

"Hoje, o rio Amazonas recebe diariamente várias toneladas de peles e vísceras de peixes. Sua fermentação retira o oxigênio da água que seria usado pelos peixes, além de provocar assoreamentos nos rios e o aquecimento da água. Para evitar esses danos ao meio ambiente, as fórmulas devem ser muito bem ajustadas para usar a menor quantidade possível de água, onde será feita a separação prévia dos principais poluidores, como é o caso do solvente", comentou Maicon Cristiano, um dos treinadores.

Na programação os participantes tiveram aulas teóricas e práticas com noções básicas em curtimento e tecnologias de tratamento de efluentes líquidos e sólidos, como as fases do processo, desde o couro até o acabamento; além de condições adequadas e inadequadas de extração da pele de peixe destinadas à indústria de couro.

Legislação prevê ordenamento da cadeia

No Amazonas é utilizada a Lei Ordinária n 2.500/1998 de 01/09/1998, que dispõe sobre a inspeção industrial e sanitária de produtos de origem animal e vegetal no Estado. Como referência tem o Serviço de Inspeção Estadual (S.I.E.) que é realizado pela Comissão Executiva Permanente de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (CODESAV). Atualmente existe com esse registro (S.I.E.) um Entreposto de Pescado Ativo. O total produzido e comercializado de pescado por estes Entrepostos no ano de 2009 é estimado em 18 mil toneladas, o que sugere um resíduo gerado de 6 mil toneladas no ano. "A indústria do pescado no Amazonas durante o processo de beneficiamento gera resíduos de forma líquida e sólida e falta regulamentação para o tratamento e destino desses resíduos que tem ocasionado a poluição ambiental", explicou a gerente de controle e pesca do IPAAM, Nonata Lopes.

A SDS e IPAAM estão moldando uma norma para o licenciamento da indústria do pescado que inclui entre outros aspectos o tratamento e destino de resíduos. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas conta com o setor de Gerência e Controle e Pesca (GECP), para denúncias e informações (92) 2123-6766 e 2123-6762.

http://www.sds.am.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.