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Peixes perto do extermínio

O Globo, Revista O Globo, p. 43
28 de mai de 2006

Peixes perto do extermínio
Relatório do WWF sustenta que a pesca ilegal avança e põe em risco algumas das espécies mais consumidas no mundo, como o atum

Por Ian Herbert, do Independent

POPULAÇÕES DE PEIXES EM águas internacionais estão sendo exploradas quase ao ponto da extinção porque os governos não conseguem protegê-las, alertou o World Wildlife Fund (WWF). Espécies como as de atum, por exemplo, estão entre as mais ameaçadas pela pesca ilegal e a prática de arrasto, em que pesadas redes são arrastadas pelo solo marinho capturando indistintamente diversos tipos de animais, entre peixes e cetáceos, e destruindo ecossistemas inteiros.

As espécies mais ameaçadas se encontram em águas internacionais, sem a proteção e o controle de governos. Essas águas representam mais da metade da superfície mundial, mas muitos países ignoram a fiscalização sobre elas e permitem a pesca ilegal, segundo Simon Cripps, do programa marinho do WWF. Países como Austrália, Grã-Bretanha e Canadá deveriam ser mais responsáveis, dar o exemplo e pressionar outros países, sustenta Cripps.

Um novo relatório do WWF - elaborado com a ONG Traffic, responsável pelo monitoramento do comércio ilegal de vida selvagem - acaba de ser divulgado às vésperas de uma reunião que acontece esta semana em Nova York, em que os governos revisarão o acordo das Nações Unidas sobre os cardumes de peixes. O acordo é a única ferramenta legal existente para o gerenciamento das populações de peixes em alto mar.

A devastação ambiental que vem sendo causada pela indústria global da pesca - cuja produção passou de 18 milhões de toneladas para 95 milhões de toneladas em meio século - é responsável pelo fato de, atualmente, 25% das espécies comerciais estarem superexploradas, comparado com 10% em meados dos anos 70, de acordo com a Organização de Alimentos e Agricultura.

Segundo o WWF, algumas das organizações de gerência de pesca regionais, cuja tarefa é garantir a pesca sustentável, "não têm a vontade política e a motivação comercial" necessárias para impor limites à pesca.

Alguns acordos regionais para proteger os estoques pesqueiros, como a Convenção da Antártica, são eficazes. Mas muitos signatários da Convenção do Atlântico Norte, por exemplo, ignoram as cotas determinadas. O Canadá, por exemplo, se comprometeu a proteger os estoques em águas nacionais, mas permite a pesca predatória em águas internacionais próximas da sua costa. A prática vem causando uma queda acentuada na população de bacalhau e afetando o rendimento de muitas comunidades costeiras.

Alguns países parecem não se dar conta do dano ambiental que está sendo causado. Nações da costa leste africana não integram a Comissão de Atum do Oceano Índico, embora capturem uma grande quantidade desse peixe anualmente.

A Associação dos Produtores de Atum do Mediterrâneo, por exemplo, sustenta que sua indústria está à beira de um colapso. Para se ter uma idéia, a produção de atum no sul da Espanha caiu 80% no ano passado.

O Globo, 28/05/2006, Revista O Globo, p. 43

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