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Pedras no caminho de Belo Monte

CB, Opinião, p. 20
10 de Abr de 2010

Pedras no caminho de Belo Monte

Ninguém duvida da necessidade de Belo Monte.

Nem tampouco da sua urgência. A megausina, que ocupará o terceiro lugar no ranking das maiores do mundo, é a joia da coroa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Projetada para ser construída no Rio Xingu, em Altamira (Pará), a obra tem o leilão de concessão previsto para 20 de abril. A concretização da disputa, porém, terá de tirar pedras do caminho.

Uma se refere à concorrência. O consórcio formado pela Camargo Corrêa e Odebrecht, que tinha mostrado interesse de participar do projeto, desistiu da competição.

Alegou, para justificar a saída, o valor da tarifa-teto, fixado em R$ 83 o megawatt/hora, e o custo da obra, estimado inicialmente em R$ 16 bilhões e revisto para R$ 19 bilhões. As empreiteiras falam em R$ 30 bilhões.

Com a desistência, Belo Monte corre o risco de ter um único grande interessado. Resta no páreo o consórcio encabeçado pela Andrade Gutierrez, em parceria com a Vale, o grupo Votorantim e a Neoenergia. Mantido o número, fica prejudicado o ambiente de competição necessário para segurar o preço da energia. Um dos critérios para vencer o leilão é o preço. Sem contenda, a esperança de baixar a tarifa-teto morre no nascedouro.

Outra pedra no caminho de Belo Monte é o Ministério Público Federal no Pará. Ação civil pública, ajuizada na Justiça Federal de Altamira, pede a anulação da licença prévia da hidrelétrica concedida em janeiro.

Os procuradores apontam oito irregularidades que vão da afronta à Constituição, passam pelas leis ambientais e chegam às resoluções do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Há dúvidas sobre os impactos graves, o futuro da qualidade da água, o destino de populações indígenas que vivem na área.

A polêmica em torno de Belo Monte não é nova. Está em pauta há 21 anos. O governo tem pressa porque a construção de uma hidrelétrica do porte não se faz num abrir e fechar de olhos. Exige de sete a 10 anos. Para crescer acima de 5% ao ano, o Brasil precisa da energia gerada pela megausina. A necessidade, porém, não justifica o avanço a qualquer preço. É importante aprofundar as negociações para diminuir dois custos - o da energia e o ambiental.

CB, 10/04/2010, Opinião, p. 20

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