O Globo, O País, p. 9
17 de Nov de 2009
Pedida prisão de usineiro por desmate em Alagoas
Família Lyra, dona da Caetés, é acusada de crime ambiental e formação de quadrilha
Odilon Rios
A família Lyra, uma das mais ricas de Alagoas, dona de usinas e tradicional financiadora de campanhas políticas, corre o risco de ir para a prisão por desmatamento ambiental.
O pedido é do Ministério Público Federal (MPF), que acusa Carlos Lyra (dono), Nancy Lyra (mulher dele), Robert Lyra, o Bob Lyra (filho), e Fernando Lopes Farias (cunhado de Carlos) de crime ambiental, desobediência e formação de quadrilha. Se a Justiça Federal aceitar o pedido, a pena de reclusão é de um a cinco anos.
Na ação, os quatro não teriam obedecido a ordens do Ibama de parar o desmatamento em uma área de 28 hectares (equivalente a 28 campos de futebol), na Unidade de Conservação Federal Reserva Extrativista (Resex), na cidade de Lagoa da Canoa, Zona da Mata do estado.
Lyra é dono da usina Caetés, segunda maior produtora de açúcar e álcool do país, e de usinas também em Minas.
A empresa, diz a ação, plantou cana e usou de forma clandestina a água de uma lagoa para irrigação. A usina foi autuada seis vezes, entre 2005 e 2007.
- O que me chamou a atenção nisso foi a desobediência ao Ibama, com ordem de embargo. E a ordem foi tratada como se não valesse nada - disse o procurador da República Bruno Baiocchi.
Segundo o MPF, os fiscais constataram o desmatamento da área de proteção, sem licença ambiental, com o objetivo de plantar cana. Cerca de 28 hectares da reserva foram devastados. Procurada, a assessoria da usina informou que seu departamento jurídico ainda não havia recebido notificação e que não tinha conhecimento do teor da denúncia, mas que apresentaria "os esclarecimentos necessários" assim que possível.
O Globo, 17/11/2009, O País, p. 9
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