O Globo, 03/09/2011, O País, p. 13
03 de Set de 2011
Pecuária é setor que mais ocupa áreas desmatadas
Catarina Alencastro
catarina.alencastro@bsb.oglobo.com.br
BRASÍLIA. Estudo divulgado ontem pelo governo mostra que a pecuária é a atividade que mais ocupa áreas desmatadas na Amazônia. O pasto responde por 62% dos 719,2 mil quilômetros quadrados desflorestados na região até 2008. O lançamento dos dados contou com a presença de ministros e cientistas e acabou virando um manifesto contra mudanças no Código Florestal. O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, chegou a propor uma moratória do desmatamento na Amazônia.
A sugestão chegou a ser discutida na Câmara, mas, por falta de consenso, foi abandonada.
- O Brasil não tem por que flexibilizar desmatamento.
Não há necessidade de desmatar. Já temos área suficiente para aumentar muito a produção agrícola e a pecuária. - afirmou Mercadante.
Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, ressaltou:
- Esse dado é absolutamente importante para o debate sobre o Código Florestal. Não podemos admitir nada que leve a novos desmatamentos. E o dado mostra que o desmatamento na Amazônia não está associado à agricultura. Então, quem discute que tem que desmatar para ter agricultura na Amazônia está com a visão equivocada.
O estudo Terra Class, do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) e Embrapa, analisou as áreas da Amazônia que foram desmatadas ao longo de décadas, e que já representa 17,5% do território do Bioma. A agricultura, ao contrário do que se pensava, não é a grande vilã: na verdade, responde por 5% do total de floresta derrubada.
Pasto tem um só boi por "campo de futebol"
O Globo
Da Redação
Diretor do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), Gilberto Câmara observou que a pecuária é uma atividade que só se mostra viável em grandes propriedades, já que exige investimento significativo na manutenção da pastagem. Uma das conclusões é que parte da floresta convertida em capim não tem se sustentado: 8,7% viraram "pasto sujo" (área sem muito investimento) e 0,1%, pastagem degradada. Outros 6,7% estão abandonados há mais tempo e já começam a apresentar regeneração de floresta. Ainda assim, o produtor não abre mão de manter o gado.
Outra questão que o estudo revela é que, apesar da ampla área de pastagem, a concentração de gado é baixa. Ou seja, a produtividade da pecuária é muito pequena. Em áreas do tamanho de um campo de futebol, há apenas um boi pastando.
- A pecuária só é viável em grandes propriedades. É preciso ter de 5 mil cabeças de gado para cima, de forma que se preserve a floresta e se tenha produtividade. Existe uma comunidade enorme vinculada à pecuária sem condições de manter uma pecuária produtiva - diz Gilberto Câmara. O estudo mostrou ainda que 21% das áreas desmatadas estão se regenerando naturalmente.
O Globo, 03/09/2011, O País, p. 13
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