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Autor: Egídio Serpa
03 de Ago de 2009
Que o litoral Norte e Oeste do Ceará é uma boa área para a instalação de uma base de lançamento de foguetes - um negócio que dá muito dinheiro para o público e para o privado - não há qualquer dúvida. E que os terrenos reservados para a implantação - em curso - do chamado Complexo Industrial e Portuário do Pecém não podem abrigar, sob nenhuma hipótese, um centro lançador desses artefatos, disto também ninguém duvida. Onde há dúvidas no Pecém, e cada vez maiores, é na questão que coloca, de um lado, a Funai e o Ministério Público Federal e, do outro lado, o Governo do Estado do Ceará, por meio de sua Agência de Desenvolvimento (Adece). Há um litígio que envolve a antropologia, a geografia e a história. Afinal, os descendentes dos Anacés - que reivindicam a propriedade de praticamente todas as terras onde estão localizados o Porto do Pecém e as indústrias que já se construíram e as que serão construídas ali - existem hoje como etnia? Mobilizados pela Funai, com o apoio do Ministério Público Federal, bisnetos e tetranetos dos índios Anacés participam de um recenseamento para provar que sua etnia existe e que seu povo mantém as tradições dos ancestrais, com celebrações e rituais próprios dos indígenas. Pelo andar da carruagem, imagina-se que o Governo do Ceará terá de pagar aos Anacés um valor muito alto pelas terras do Complexo do Pecém.
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