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PEC quebra monopólio estatal de 'terras raras'

Valor Econômico, Política, p. A7
24 de Set de 2013

PEC quebra monopólio estatal de 'terras raras'
Proposta regulamenta exploração de elementos químicos usados pela indústria de alta tecnologia

Raquel Ulhôa
De Brasília

O senador Luiz Henrique (PMDB-SC) elabora duas propostas legislativas para facilitar e estimular a atuação do setor privado na exploração de "terras-raras" - 17 elementos químicos utilizados pela indústria de alta tecnologia, como na fabricação de telas de celulares, discos rígidos de computador, turbinas de energia eólica, catalisadores para refino de petróleo e aparelhos de ressonância magnética, entre outros.
Trata-se de um projeto de lei criando marco regulatório para o setor - que pode tramitar de forma autônoma ou ser incluído como um capítulo do Código de Mineração - e Proposta de Emenda Constitucional (PEC) pelo fim do monopólio da União no manuseio de elementos radioativos.
As duas propostas encontram-se quase prontas, segundo Luiz Henrique, e resultam das recomendações feitas pelo próprio pemedebista no relatório aprovado em 10 de setembro pela subcomissão temporária de terras-raras, criada no âmbito da Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado. Para fazer o relatório, a subcomissão ouviu 24 especialistas, pessoas envolvidas - ou interessadas - na exploração e representantes do governo.
"É fundamental garantir que o Brasil, por razão nenhuma, deixe de fazer as pesquisas científicas para buscar o completo domínio sobre extração e produção de terras-raras. O Brasil não pode deixar de dominar todos os processos: mineração, separação, concentração e produção industrial", disse Luiz Henrique ao Valor.
As terras-raras, ou TRs, não são substâncias radioativas, mas muitas vezes encontram-se misturadas a urânio e tório - estes sim, radioativos -, cuja manipulação exige licenciamento da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), processo, em geral, burocrático e lento. Isso desestimula a participação do empresariado na separação de terras-raras.
"É preciso transformar o monopólio estatal sobre manipulação de minerais radioativos em parcerias público-privadas, garantindo a empresas do setor privado a possibilidade de manipularem esses materiais. Já tenho a PEC pronta", disse Luiz Henrique.
Com relação à regulamentando da exploração dos elementos químicos de TRs, o projeto de lei elaborado por Luiz Henrique prevê, segundo ele, a adoção de royalties (compensações financeiras pagas pelas empresas aos governos para ter direito à exploração, como acontece com o petróleo), de incentivos fiscais e de linhas de crédito de bancos oficiais _ou privados_ para o setor.
"Pode ser do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal (CEF) ou de um banco regional. E pode até haver uma diretriz do Banco Central propiciando à iniciativa privada entrar nisso, como acontece no caso da habitação popular", afirmou.
Para o pemedebista, o setor privado precisa de "segurança jurídica" para atuar na mineração das terras-raras e no processo industrial e o papel do Estado tem de ser de "incentivador". Ele defende menos burocracia e interferência estatal. "É preciso, antes de tudo, investimentos públicos e privados na pesquisa científica, a fim de nos dar o domínio da arte dessa matéria", disse.
O pemedebista considera um "grande erro histórico" o país ter optado pela importação, em vez de investir no conhecimento, na década de 80. "Nós estávamos à frente no processo. Como o mercado ofereceu esses elementos a preços muito baixos, o Brasil achou que era melhor importar do que obter o conhecimento. Aí parou tudo", lembra. "Hoje, a China domina 97% do mercado mundial e os preços foram à estratosfera."
Para mostrar a importância, desses elementos químicos, Luiz Henrique citou o projeto "Maglev", desenvolvido pelo Instituto Alberto Luis Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Trata-se da construção de um trem com "levitação magnética", baseada nos imãs de terras-raras.
O senador disse, ainda, que todas as tecnologias limpas usam terras-raras, porque elas permitem redução do consumo de energia e, consequentemente, da poluição.
O chefe do Departamento de Recursos Minerais-Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais e Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Francisco Valdir Silveira, afirmou em audiência à subcomissão que, em termos de TRs, o Brasil está muito bem posicionado no contexto mundial, citando, como exemplos de áreas importantes, as do Alto Paranaíba, em Minas Gerais e Goiás, e as de Seis Lagos, Repartimento e Pitinga.
Disse que o país não tem problema de matéria-prima de terras-raras e sim de indústria. Segundo ele, os depósitos já conhecidos, como os de Araxá e os litorâneos, já teriam matéria-prima suficiente para suprir o Brasil - e talvez o mundo. Mas apontou a falta de uma cartografia que cobra todo o território nacional como um problema.

Valor Econômico, 24/09/2013, Política, p. A7

http://www.valor.com.br/politica/3280540/pec-quebra-monopolio-estatal-d…

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