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Paulistano usa o dobro da água recomendada

Metro, Edição Verde, p. 1, 8-9
Autor: BÜNDCHEN, Gisele
12 de Nov de 2007

Paulistano usa o dobro da água recomendada
Abastecimento é prejudicado por desperdício, falta de chuva e fraudes na medição

"A responsabilidade é de todos. A Sabesp tem de diminuir as perdas e a popula ção precisa consumir menos."
Marussia Whately, coordenadora do programa Mananciais do Instituto Socioambiental (ISA)

Cada morador de São Paulo gasta em média 221 litros de água por dia, segundo a Sabesp. Esta quantidade é duas vezes maior do que a recomendada pela Organização das Nações Unidas - 110 litros/pessoa.
A situação da água em São Paulo preocupa. Apesar de a Sabesp disponibilizar 3,4 bilhões de litros de água para o abastecimento, cerca de 30% se perdem em vazamentos e fraudes na medição.
O nível das represas está baixo e o volume de chuvas, longe da média histórica -ficou abaixo do esperado em oito dos dez meses deste ano. Se não chover o necessário até março, a estiagem pode ser crítica.
O Instituto Socioambiental, com apoio do Metro, lança a campanha "De Olho nos Mananciais" para alertar a população sobre a situação dos reservatórios responsáveis pelo abastecimento da cidade. Págs/08 E 09

Paulistano usa 2 vezes cota diária de água
ONU indica 110 litros per capita/dia, mas média é de 221

Agosto foi um mês sem chuvas na cidade de São Paulo.
Os reservatórios que abastecem as torneiras da região metropolitana estão com níveis baixos, e a precipitação ao longo do ano está longe da média histórica. E, quanto mais rasa a represa, mais caro e trabalhoso fica tratar a água que consumimos.
Aliás, consumo excessivo: o paulistano gasta por dia, em média, o dobro do que a ONU (Organização das Nações Unidas) recomenda. Os moradores de São Paulo usam 221 litros per capita a cada dia de água. O indicado pela ONU são 110.
Só que a média já alta esconde os exageros. O bairro de Higienópolis, no centro, tem média de 500 litros per capita por dia de água. Em Lajeado, na zona leste, os moradores utilizam os 110 litros recomendados.
"Higienópolis tem muitos prédios, a maioria com canos antigos. A conta de consumo é coletiva, não é separada. Se você não vê a conta, não se preocupa. O apartamento passa anos com vazamento", diz Marussia Whately, coordenadora do programa Mananciais do ISA (Instituto Socioambiental).
A entidade está lançando a campanha "De Olho nos Mananciais" para conscientizar a população de que ela pode ajudar a poupar água e evitar o desperdício (leia mais nesta página).
Os números do gasto na cidade são da Sabesp e contabilizam o total diário para higiene e consumo (beber, lavar a roupa, escovar os dentes, tomar banho).
A capital tem estimados 10,8 milhões de habitantes.
Para abastecê-los, a Sabesp produz 3,4 bilhões de litros diários - o equivalente a 3,4 milhões de caixas-d'água. Só que parte acaba se perdendo na rede de distribuição (leia texto à página 9). Roberto Pellim emfoco@publimetro.com.br

Campanha mostra de que local sai sua água

Mostrar à população de onde vem a água consumida, alertar para a situação preocupante dos reservatórios, dar dicas e cobrar ação dos órgãos governamentais.
A campanha "De Olho nos Mananciais" será lançada no próximo dia 21 pelo ISA (Instituto Socioambiental), com apoio do Metro.
A situação é preocupante nos sistemas que abastecem os 39 municípios da região metropolitana de São Paulo.
Os principais são Cantareira, Guarapiranga e Rio Grande (Billings).
A ONG criou mapa que permite saber de onde sai sua água. Basta escolher a cidade e, depois, o bairro. O endereço é www.mananciais.org.br. RP

Recém-iniciada, época chuvosa é decisiva

O período chuvoso acontece de outubro a março no Sudeste. E, para a região metropolitana de São Paulo, este ciclo será decisivo.
O nível do sistema Cantareira está em torno de 30%; no Guarapiranga, é de 40%. O Rio Claro, que serve parte do interior, está em 27,7%.
Se as chuvas até março ficarem abaixo da média histórica - o que ocorreu em 8 dos 10 meses deste ano -, a estiagem pode ser crítica.
E não adianta chover na capital. A água das pancadas de chuva de fim de tarde vai direto para o Tietê.
É necessário chover nos reservatórios. No caso do Cantareira, por exemplo, uma chuva em Minas Gerais é mais significativa. RP

Dica!
Plante uma muda de árvore
Se você plantar uma pequena árvore no jardim de sua casa, ela poderá produzir pelo menos 2 quilos de oxigênio por dia. Se todos os 20 milhões de leitores do Metro fizerem o mesmo que você, eles vão estar contribuindo para que cerca de 40 milhões de quilos de oxigênio sejam produzidos por dia.
Conama/Metro Chile

Dicas!
Economize água
1 Feche a torneira ao escovar os dentes e ajude uma criança.
Cada vez que você e mais seis amigos fecharem a torneira ao escovar os dentes, 122 litros de água tratada vão ser economizadas. Essa quantidade de água é suficiente para atender às necessidades diárias de uma criança.
Instituto Akatu/Metro Brasil

2 Elimine vazamentos e abasteça São Paulo por um dia. Se um cano tiver um buraco de 2 milímetros, o vazamento da água por um ano será de 1,15 milhão de litros. Se eliminarmos esta perda em 5.000 residências, será poupada água para abastecer o Estado de São Paulo por um dia.
Instituto Akatu/Metro Brasil

3 Não use o vaso sanitário como lixo.
Quando você aciona a descarga para se livrar de algum resíduo, 10 litros de água tratada de boa qualidade descem pelo ralo. Se um milhão de pessoas largarem essa mania, vão ser economizados 300 milhões de litros de água por mês.
Instituto Akatu/Metro Brasil

4 Não use o esguicho para varrer a calçada e economize meia caixa d'água. Use a vassoura e não a mangueira para limpar a calçada. Cada vez que você fizer isso, você estará economizando em média 280 litros de água, o suficiente para encher meia caixa d'água doméstica.
Instituto Akatu/Metro Brasil

'Podemos mudar a situação

A modelo Gisele Bündchen é garota-propaganda da campanha "De Olho nos Mananciais".
Vestirá literalmente a camisa pela defesa da água.
Metro - Como surgiu seu envolvimento com as águas?
Gisele Bündchen - Depois que tive contato com os índios do Xingu, em 2004, e soube da poluição dos rios da região, propus à Grendene parceria com campanhas sérias em defesa das águas. Meu apoio teve início com o ISA e a campanha "Y Ikatu Xingu - Salve a Água Boa do Xingu". Esse apoio cresceu e envolve mais dois projetos: campanha "Nascentesdo Brasil", do WWF, e agora "De Olho nos Mananciais".

Metro - O que você mudou em seu dia-a-dia?
Gisele - A conservação da água é responsabilidade de todos.
Utilizamos no nosso dia-a-dia, e dela dependem muitos dos nossos hábitos e costumes.
Além de apoiar campanhas no Brasil, tenho feito pequenas mudanças de atitude para não desperdiçar água, reciclar o lixo e usar energias alternativas.

Metro - A preocupação ambiental é moda ou vai pegar?
Gisele - Sou uma pessoa positiva e acredito que podemos mudar a situação, melhorar o mundo ter um futuro melhor para as atuais e futuras gerações

SP perde 31% da água tratada
Vazamento e fraude causam desperdício de 425 piscinas olímpicas por dia
O sistema de abastecimento de água na região metropolitana de São Paulo perde diariamente 1 bilhão de litros de água por dia, 30,8% do volume produzido.
As perdas são provocadas tanto por vazamentos na rede da Sabesp quanto por fraudes feitas nas medições.
"Cerca de 65% são perdas físicas, problemas nos ramais, o resto é fruto de submedição nos hidrômetros", diz Nilton Seuaciuc, assistente-executivo da Diretoria Metropolitana da Sabesp.
Os números foram tabulados pelo ISA (Instituto Socioambiental), com base nos dados da Sabesp. O índice está abaixo da média de perdas no Brasil, que é de 45%.
Mas é bem maior que o de outras metrópoles. Tóquio, no Japão, registra escapes no sistema de apenas 4%.
A água perdida iguala todo o volume retirado da Guarapiranga. Seria suficente para abastecer diariamente 4 milhões de pessoas e daria para encher por dia 425 piscinas olímpicas.
O sistema de abastecimento produz 3,4 bilhões de água por dia para abastecer os 10,8 milhões de habitantes que moram na capital paulista.
Para a ONG, o combate às perdas passa necessariamente pela participação da população. "A Sabesp não teria condições de monitorar a cidade inteira 24 horas por dia. A população precisa denunciar rapidamente qualquer tipo de vazamento, inclusive na rua, e cobrar rapidez no atendimento", defende a coordenadora da campanha "De Olho nos Mananciais", Marussia Whately, do ISA.
Para ela, a redução no desperdício de água depende principalmente de modificações no comportamento individual, mais até que de ações do poder público. "Pequenas mudanças de hábito podem gerar grande impacto na vida de uma comunidade", afirma a coordenadora da campanha "De Olho nos Mananciais".
Fausto Salvadori Fo. fausto.salvadori@publimetro.com.br

Bairros ricos desperdiçam volume maior
Os maiores vilões do consumo de água são os condomínios, especialmente os mais antigos, localizados nos bairros de Higienópolis, Perdizes e Jardins.
"Alguns prédios nestes bairros, além de casas no Morumbi, gastam até 500 litros per capita por dia", diz Nilton Seuaciuc, executivo da Sabesp. Em bairros da periferia, o consumo gira em torno dos 100 litros. A média paulista é de 221 litros.
Segundo a Sabesp e o Instituto Socioambiental, os pobres economizam mais água para se manter nos limites da "tarifa social", mais barata. Além disso, muitos moradores da periferia moram em conjuntos habitacionais onde a conta de água é individualizada.
Para combater o problema, o ISA lança uma campanha para ensinar moradores de condomínios a reduzirem o consumo, começando por Higienópolis. A Sabesp oferece serviço parecido no fone 0800-7712482.
Medidas simples, como a cobertura de piscinas e a coleta da água da chuva para uso em lavagens, podem ter grande impacto na redução do consumo. FSF

'Gato' feito em áreas carentes consome 14%
Cerca de 10% da população da cidade de São Paulo usa ligações clandestinas, os chamados "gatos", para ter acesso à água que consome.
Segundo Nilton Seuaciuc, assistente-executivo da Diretoria Metropolitana da Sabesp, ligações clandestinas consomem 14% da água da capital. O índice é de 8% na região metropolitana.
São 386 mil famílias utilizando "gatos" - cerca de 1 milhão de pessoas.
Essas conexões são precárias, sem proteção. O risco de contaminação é grande.
O esgoto sem canalização pode facilmente se misturar com a água nos canos das ligações clandestinas.
"A maior parte das conexões irregulares fica em área de manancial invadida", diz Marussia Whately, do ISA. "Como eles não têm conta, o consumo é alto. São 30 m3 por mês nesses locais, com pico de 49. A cidade tem média de 18 m3", diz Seuaciuc, da Sabesp.
Algumas das doenças mais freqüentes em bairros carentes decorrem da água contaminada, como a diarréia, considerada uma das principais causas da mortalidade infantil. RP E FSF

Válvula 'sensível' é trunfo da Sabesp
Válvulas inteligentes fazem parte das ações da Sabesp, empresa do governo estadual, para minimizar o desperdício, diz Nilton Seuaciuc, assistente-executivo da Diretoria Metropolitana.
O equipamento reduz a pressão à noite, quando a demanda é menor. Com isso, menos água passa pelas tubulações furadas. "Fazemos a troca de ra mais antigos. Se apresenta problema duas vezes, substituímos."
Há partes da rede com mais de 50 anos. "Buscamos manter os hidrômetros com até sete anos. A partir disso, há uma perda na medição de 14%." RP
Veja a situação
Veja a situação
Capacidade dos principais reservatórios de SP
Fonte: Sabesp
31,4% Sistema Rio Grande
40,8% Sistema Cantareira
72,0% Sistema Guarapiranga

Válvula 'sensível' é o trunfo da Sabesp
Válvulas inteligentes fazem parte das ações da Sabesp, empresa do governo estadual, para minimizar o desperdício, diz Nilton Seuaciuc, assistente-executivo da Diretoria Metropolitana.
O equipamento reduz a pressão à noite, quando a demanda é menor. Com isso, menos água passa pelas tubulações furadas. "Fazemos a troca de ramais antigos. Se apresenta problema duas vezes, substituímos."
Há partes da rede com mais de 50 anos. "Buscamos manter os hidrômetros com até sete anos. A partir disso, há uma perda na medição de 14%." RP

Metro, 12/11/2007, Edição Verde, p. 1, 8-9

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