Radiobrás-Brasília-DF
Autor: Monique Colares
15 de Dez de 2004
Infra-estrutura e falta de material didático apropriado são ainda as maiores dificuldades dos povos indígenas relacionadas à educação escolar, afirma Agnaldo Pataxó, da tribo Pataxó Hã-hã-hãe do sul Bahia. "Em vários povos, 90% das salas de aula não têm condições nenhuma", diz. E acrescenta: "A gente tem uma dificuldade imensa de produzir o nosso material didático. Temos que trabalhar improvisando, para transformar o material comum em material para a gente".
Professor de geografia em sua tribo, Agnaldo Pataxó afirma que apesar de muitas comunidades não terem esse material especial, algumas já contam com um sistema mais moderno, composto por televisões e computadores. Para o professor, essa demanda tecnológica é importante, mas acaba se tornando, algumas vezes, uma das principais dificuldades para os alunos, já que eles ficam tentados a conhecer os prazeres de um "mundo diferente". "A pior dificuldade para os alunos é superar essa globalização, entender a globalização de um jeito, mas também não perder os nossos traços culturais, a cultura do nosso povo", explica.
Agnaldo é um dos integrantes da Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena (CNEEI), criada nesta quarta-feira pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC). De acordo com ele, o trabalho de educação nas aldeias é voluntário, não conta com ajuda do governo. Segundo Agnaldo, a CNEEI veio em boa hora, para ajudar no cumprimento da legislação brasileira relacionada aos povos indígenas. "A gente quer sensibilizar o Conselho Nacional de Educação para poder fazer com que os estados e o MEC cumpram a legislação. A legislação brasileira talvez seja uma das melhores, o problema é o não cumprimento", conclui.
A comissão, que é composta por 15 membros de organizações indígenas de todo o país, tem como objetivo assessorar o MEC na definição de políticas sobre a educação escolar desses povos nos níveis infantil, fundamental, médio e superior.
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