OESP, Nacional, p.A12
06 de Mar de 2004
Pastoral da Terra critica novas barragens D. Balduíno afirma que atual política energética vai expulsar do campo 100 mil famílias
LÍGIA FORMENTI
BRASÍLIA - O presidente da Comissão Pastoral da Terra, d. Tomaz Balduíno classificou ontem a política do setor energético como "a continuação do entulho militar". Ele se disse decepcionado com a atuação do governo, explicando que a previsão de construir 70 barragens vai expulsar do campo cerca de 100 mil famílias. "De nada adianta promover assentamentos e, ao mesmo tempo, remover pessoas que tiram seu sustento da terra. É o mesmo que encher com água uma caixa furada", comparou, na apresentação de manifesto contra a política do setor.
O documento, preparado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (Mab), recebeu apoio do MST e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
"É uma vergonha para um governo de esquerda que uma situação como esta esteja ocorrendo", disse o coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues. O grupo reivindica audiência com o presidente Lula. "Ele precisa saber as pressões exercidas sobre o grupo e em que situação estão os desalojados", afirmou Rodrigues.
O principal alvo das críticas é o Ministério de Minas e Energia. O grupo já se reuniu com a ministra Dilma Rousseff três vezes. O coordenador do Mab, Gilberto Carlos Cervinski, conta que 7 entre 10 desalojados não recebem indenizações por suas terras. Na sua avaliação, não há interesse do governo.
"A impressão é de que apenas o interesse das empresas será defendido pelo ministério."
Cervinski teme pelos proprietários de terras afetadas pelas novas barragens.
As indenizações, disse, são feitas entre empresas e os desalojados. "O governo não dá nenhuma garantia e piora a situação ao determinar que o critério para ganhar licitação é o menor preço. Claro que a economia será gerada às nossas custas."
D. Balduíno manteve o tom da acusação. "O ministério lava as mãos, é conivente com firmas que não têm rosto." Por sua assessoria, o Ministério das Minas e Energia informou que o caso está sendo discutido por um grupo interministerial, criado em setembro. O prazo para o grupo concluir seu trabalho era 12 de março, mas foi prorrogado por 60 dias.
OESP, 06/03/2004, p. A12
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