JB, Cidade, p.A15
25 de Jul de 2005
Paraty protesta contra despejo de resíduos no litoral
Ibama enviará documento à Brasfels com as exigências para obra de dragagem
Ricardo Albuquerque
Cerca de 500 pessoas percorreram, ontem à tarde, as principais ruas do Centro Histórico de Paraty - a 236 quilômetros do Rio de Janeiro - em protesto contra o bota-fora da dragagem do estaleiro Brasfels (antigo Verolme) a 26 milhas do litoral de Angra dos Reis. Com faixas, cartazes e bonecos gigantes usados em desfiles carnavalescos, os manifestantes chamaram a atenção de turistas e moradores para que o depósito do material seja feito a 31 milhas.
- Não somos contra a dragagem, mas os pontos A (Baía de Ilha Grande) e B (Ilha dos Meros) estão dentro do território de Paraty. Não podemos concordar com isso porque dependemos do meio ambiente - observou o prefeito de Paraty, José Carlos Porto (PTB), que participou da passeata. Segundo ele, o turismo e a pesca, que representam 70% das atividades econômicas da região, seriam as maiores prejudicadas com o depósito do material sedimentado a 12 e 26 milhas de distância do estaleiro Brasfels.
Com o parecer favorável do Ministério Público (MP) estadual, indicando o descarte em águas continentais - a 31 milhas -, os técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) se reúnem, hoje à tarde, no Rio de Janeiro, para elaborar o documento que será enviado à Brasfels, com as exigências para autorizar o bota-fora. O parecer levará em consideração as informações do estudo de impacto ambiental feito pela Ecology do Brasil, empresa contratada pelo estaleiro para emitir um relatório sobre a dragagem. Caberá ao Ibama autorizar o despejo, enquanto a Prefeitura de Angra e a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) irão liberar o alvará e a licença ambiental para a dragagem.
Prevista para começar em agosto - de acordo com o cronograma da Brasfels -, a obra vai remover 520 mil metros cúbicos de sedimentação (areia, argila e silte), o equivalente a 628 hectares de solo marinho ou a uma área em terra firme de 6,28 milhões de metros quadrados, para permitir que a P-52 retorne ao estaleiro já com o casco, antes de entrar na última fase de construção.
A Brasfels estuda a transferência da última etapa de construção do estaleiro para a Baía de Guanabara, onde seria montado um off-shore contratando mão-de-obra qualificada do Rio e de Niterói. Para comerciantes e comerciários de Angra a decisão poderia trazer sérias conseqüências, aumentando o desemprego no setor, que depende diretamente dos portuários, principais consumidores.
JB, 25/07/2005, p. A15
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