VOLTAR

Paraty exige estudo de impacto ambiental para dragagem

JB, Cidade, p.A15
28 de Jul de 2005

Paraty exige estudo de impacto ambiental para dragagem
Estaleiro assina acordo com Ministério Público ma polêmica está longe do fim
Duilo Victor e Ricardo Albuquerque
A polêmica sobre a dragagem do estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis, está longe do fim. Apesar de a empresa ter cedido à pressão de ambientalistas, pescadores e maricultores e anunciado um acordo com o Ministério Público (MP) estadual para fazer o despejo a cerca de 34 milhas de distância do litoral e 65 metros de profundidade, as entidades e políticos de Paraty vão exigir que seja feito um novo estudo de impacto ambiental (EIA) sobre o bota-fora do chamado ''mar de lama'' - 520 mil metros cúbicos de areia, argila e silte (partícula de minerais). Eles também exigem uma nova audiência pública para discutir o assunto antes de a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feema) conceder a licença prévia para a obra.
O assessor da presidência da Brasfels, Carlos Filipe Rizzo, garantiu que é desnecessário elaborar um novo EIA para conhecer o impacto sobre a fauna e a flora aquáticas da região, mas garantiu que fará estudos complementares a pedido do MP estadual. Rizzo também disse que o novo ponto de descarte está dentro dos limites do Estado do Rio de Janeiro, o que permitiria à Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feema) a emitir as licenças ambientais da obra e do bota-fora.
- Quem falou que o novo ponto de descarte está em águas continentais não conhece a legislação ambiental. Cabe à Feema legislar sobre o assunto - diz Rizzo.
Ao contrário do representante da Brasfels, o analista ambiental Paulo César de Souza, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), garante que a nova distância para o despejo do material está em águas continentais, o que permitiria ao Ibama ser o órgão responsável pela emissão da licença ambiental.
- O Ibama deve assumir a autorização porque o descarte está em águas da plataforma continental brasileira. Além disso a Feema não é confiável. Em 1997, fizemos um acordo sobre a dragagem do Porto de Sepetiba e a Feema não seguiu nossas recomendações. Resultado: foi o Ibama quem ficou com a imagem manchada - observa Paulo César de Souza.
Responsável pela construção da plataforma P-52 da Petrobras, a Brasfels assinou o acordo com MP estadual na presença de representantes da Prefeitura de Angra dos Reis e do Sindicatos dos Petroleiros e dos Metalúrgicos. O estaleiro deverá gastar cerca de R$ 18 milhões, dez a mais do que os R$ 8 milhões previstos no custo inicial da obra, em virtude do novo ponto escolhido para o bota-fora. A dragagem terá um quilômetro de extensão, 200 metros de largura e 2,25m de profundidade, para permitir que a P-52 retorne ao estaleiro já com o casco, antes de entrar na última fase de construção. De acordo com Carlos Filipe Rizzo, mais de 5 mil trabalhadores serão contratados na etapa final do empreendimento. Ontem, no Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro), no Rio, o presidente do Sindicato dos Produtores de Pesca da Baía de Ilha Grande, Jediel de Castro, defendeu os pescadores de Paraty e criticou a ausência de outras entidades na reunião com o MP estadual, na terça-feira, quando foi assinado o acordo sobre o bota-fora.
- Os ventos de leste podem levar o mar de lama para Paraty, durante o bota-fora. Também sou favorável a um estudo de impacto ambiental - diz Jediel de Castro.

Metalúrgicos e pescadores batem de frente
Metalúrgicos e pescadores de Angra dos Reis têm uma diferença muito maior do que a distância do novo ponto de bota-fora da dragagem do Brasfels, que deverá ser feito a 34 milhas da costa. Ontem, na sede do Sindipetro, os representantes das duas categorias trocaram acusações, mostrando que as duas entidades fazem análises distintas sobre a obra no estaleiro.
O relações-públicas do Sindicato dos Produtores de Pesca da Baía de Ilha Grande, Adelson Pimenta, atacou a postura dos metalúrgicos, que teriam publicado um informe acusando a entidade de pesca de ser contra a dragagem e a favor do desemprego.
- É claro que temos que nos preocupar com a pesca de sardinha e camarão, que representa muito para os trabalhadores. Nenhum pescador foi consultado e sequer convidado para participar da última reunião. Como sempre, a Brasfels e os metalúrgicos se esqueceram de uma categoria que será afetada diretamente por essa obra - observa Pimenta.
Representantes dos metalúrgicos confirmaram que sempre foram favoráveis à dragagem em virtude dos 5 mil empregos que serão gerados na última fase de construção da plataforma P-52.
- O ponto onde será feito o bota-fora para os metalúrgicos pouco importa, mas não podemos ser violentados da maneira que fomos pelos pescadores, que nos impediram de participar da audiência pública em Paraty - observa Josias Martins, diretor do sindicato.
O diretor da Coordenadoria de Saúde e Meio Ambiente do Sindipetro, Abílio Tozine, afirmou que um relatório da reunião será entregue à Feema, ao Ibama e ao Conselho Estadual de Controle Ambiental (Ceca). A Feema, a Petrobras e o Ceca não enviaram representantes à reunião.

JB, 28/07/2005, p. A15

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.