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08 de Fev de 2026
Ações das forças de repressão do Paraguai, em consórcio com o latifúndio de soja brasileiro, desencadearam uma ofensiva de terror contra indígenas na fronteira com o Brasil. No dia 3 de fevereiro, uma intervenção violenta da Polícia Nacional Paraguaia invadiu a fazenda Estancia Americana, no departamento de Canindeyú. A ação foi autorizada por uma ordem judicial do juiz Guillermo Trovato, de Assunção, que os indígenas afirmam ter inúmeras irregularidades. Na ação, famílias indígenas foram submetidas a disparos de armas de fogo e gás lacrimogêneo.
Dias antes do ataque, os indígenas haviam solicitado a intervenção do Instituto Indígena Paraguaio (INDI) para impedir o despejo. A população argumentou que trabalha na área colhendo soja para sua subsistência. Contudo, a decisão do juiz Trovato suspendeu os efeitos de uma resolução anterior de um Tribunal de Saltos del Guairá que garantia a continuidade dos indígenas na terra. Relatos locais apontam para uma forte interferência política e econômica, visando beneficiar grupos específicos vinculados ao latifúndio brasileiro.
Resistência heróica em Pindoty Porã
No dia seguinte, 4 de fevereiro, uma delegação judicial e policial invadiu a colônia Pindoty Porã, em Corpus Christi, para garantir a posse de um administrador judicial. A força-tarefa, chefiada pelo oficial de justiça Mario César Peralta González, utilizou gás lacrimogêneo e balas de borracha contra homens, mulheres e crianças que se opunham à operação. Durante a repressão, um jovem de 25 anos foi detido e nove motocicletas, ferramentas essenciais para o trabalho e deslocamento dos indígenas, foram apreendidas.
Ao chegarem ao portão principal, os agentes do velho Estado foram recebidos por um grupo de indígenas que utilizaram barricadas, pedras e fogos de artifício para defender o território. Embora as forças de repressão tenham dito que "não houve ferimentos graves", a documentação visual da operação revela o pânico imposto às crianças e o clima de terrorismo de Estado que imperou no local.
A barbárie promovida pelo velho Estado paraguaio repercutiu intensamente nas "redes sociais", onde internautas brasileiros manifestam indignação e traçam o diagnóstico correto da situação: "seguimos aqui no Brasil este caso, pois os mesmos que atacam os indígenas lá no Paraguai são os mesmos que atacam aqui no Mato Grosso do Sul e no Paraná". A fronteira realmente não passa de uma linha imaginária para o latifúndio brasileiro, que opera de forma transnacional. Os métodos de expulsão, a utilização do judiciário para legitimar o roubo e a truculência policial são idênticos em ambos os lados, revelando a natureza criminosa do latifúndio.
A ofensiva contra os povos originários se estende também à comunidade de Tekoha Karapá, em Ypejhú. No final de dezembro de 2025, um grupo de pistoleiros armados, supostamente seguranças particulares de um latifundiário brasileiro, invadiu o território disparando contra casas, forçando homens e mulheres a fugir para a mata. As moradias foram incendiadas, e a ajuda humanitária foi bloqueada por um cerco armado ilegal. O líder indígena Gildo Romero Venialgo denunciou o risco iminente de etnocídio, ressaltando que até a Polícia Nacional Paraguaia foi impedida de entrar pelos pistoleiros.
Militarização do campo como resposta contra-insurgente
A militarização reacionária do campo paraguaio é a resposta do velho Estado à resistência e autodefesa dos camponeses e indígenas. Em dezembro de 2025, o governo paraguaio assinou um "acordo de cooperação militar" com o Estados Unidos (EUA). Sob a justificativa de combater grupos como o Exército do Povo Paraguaio (EPP), o acordo visa, na verdade, garantir a exportação de commodities para o imperialismo ianque. Enquanto isso, na reserva Marina Cue, ainda em Canindeyú, dispositivos explosivos foram detonados e desativados em meio a conflitos onde o velho Estado tenta vincular à atuação dos "terroristas" do EPP para justificar massacres.
No Brasil, o drama é o espelho exato. O assassinato do dirigente camponês Adeildo Gonçalves Calheiro, atribuído ao BOPE em Rondônia, foi rapidamente aproveitado por portais reacionários para lançar novas infâmias. O portal "Tudo Rondônia" despejou uma série de acusações, tentando vincular a luta pela terra ao terrorismo. Os reacionários em Rondônia tremem diante do avanço da Liga dos Camponeses Pobres (LCP). O medo é tanto que até instituições de segurança pública, como aponta o relatório do Instituto Igarapé, colocam a LCP como o "problema central" da região. O relatório admite que, em Rondônia, a questão da regularização fundiária é encarnada na figura da LCP, que defende abertamente a "revolução agrária" e prega a "morte do latifúndio".
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