O Globo, O País, p. 13
16 de Jun de 2011
Para secretária, não é possível acabar com crimes
Líder do MST acredita que assassinatos continuarão a ocorrer
Adauri Antunes Barbosa e Demétrio Weber
BRASÍLIA e SÃO PAULO. A secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, disse ontem que o papel da Força Nacional de Segurança é apoiar as polícias dos estados. Ela lembrou que, legalmente, cabe aos governos estaduais garantir a ordem pública. Regina afirmou que o efetivo da Força Nacional está sendo reforçado no Pará, Amazonas e em Rondônia, nos locais de maior incidência de crimes ligados a conflitos agrários. A secretária admitiu que é "quase impossível zerar o crime":
- Se você me disser: é possível garantir a segurança de todas as pessoas que constam da lista de ameaçados? Vou dizer que é quase humanamente impossível. Temos uma lista de quase mil pessoas. E, para cada pessoa, precisamos de oito policiais. Isso significa um contingente quase equivalente ao da Polícia Federal. Então, a nossa intenção é aumentar a segurança coletiva.
Líder do MST defende marco legal na região
A ofensiva dos fazendeiros, que tentam ampliar os limites de suas terras na Amazônia, em especial no Sul do Pará, provocando assassinatos de lideranças camponesas, é "institucionalizada" pelo governo federal, conforme avaliação do coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Charles Trocate, também dirigente estadual do movimento sem-terra no Pará.
- A regularização fundiária promovida pelo governo fomenta o conflito à medida que agudiza as contradições entre camponeses e grileiros. Na lei que regulariza 60 milhões de hectares na Amazônia não há procedimentos para assentamentos para a reforma agrária - disse Charles Trocate.
Para ele, ao contrário do que pretende o governo, com o envio de tropas da Força Nacional, os conflitos agrários vão se agravar e mais mortes devem acontecer caso não haja a implantação de um marco legal na região.
Opinião
Atestado
A OCORRÊNCIA de mortes na Amazônia, apesar da presença da Força Nacional, comprova que operações policiais tópicas têm efeito limitado, embora necessárias.
GABINETES DE Brasília se sentem dando resposta à população, são mostradas cenas expressivas na imprensa, mas as raízes do problema continuam fincadas: corrupção, falta de fiscalização constante, assentamentos abandonados pelo poder público, etc.
O Globo, 16/06/2011, O País, p. 13
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