VOLTAR

Pará pesquisa bioplástico de mandioca

GM, Gazeta do Brasil, p. B13
19 de Mai de 2005

Pará pesquisa bioplástico de mandioca

Estudo tem parceria entre cooperativas e governo holandês; produção viabiliza a agricultura familiar. A Central de Cooperativas Nova Amafrutas, com sede em Benevides (30 quilômetros de Belém), estuda a viabilidade de produzir plástico a partir do amido modificado da mandioca. O bioplástico, como é chamado, já é produzido na Europa a partir da casca da batata. Os estudos, financiados pelo governo holandês e Banco da Amazônia no valor de R$ 800 mil, devem ser concluídos até outubro. O trabalho é feito em parceria com o Instituto de Pesquisa Holandês (IDT),
Para a Nova Amafrutas, a produção do bioplástico a partir da mandioca pode vir a ser uma nova alternativa de mercado para a agricultura familiar no Pará.
Formado por três cooperativas (Cooperativa de Produção Industrial - Coopagri, Cooperativa Agrícola Mista de Produtores - Camp e Cooperativa da Produção Agroextrativista - Coopaexpa), o projeto da Nova Amafrutas envolve atualmente 2,3 mil famílias de produtores agrícolas em 21 municípios paraenses com amplo trabalho voltado para a fruticultura. A central possui ainda uma unidade industrial de processamento das frutas, cuja produção este ano deve alcançar quatro mil toneladas de suco concentrado.
Valor agregado
Como a mandioca é uma das culturas trabalhadas pelos produtores familiares que fazem parte do projeto, a idéia é agregar valor à produção para que deixe de ser apenas uma cultura de subsistência.
Na Holanda, onde o bioplástico é feito a partir da batata, existe tem tecnologia para produzir a partir da mandioca, conforme explica o diretor agrícola da Nova Amafrutas, Avelino Ganzar. O diretor destaca que, os estudos com o amido modificado da mandioca visam a produção de vários produtos. Um exemplo é o tubete, utilizando para abrigar mudas de plantas que, sendo biodegradável, não vai precisar ser removido no ato do plantio.
Os estudos para a produção do bioplástico no Pará envolvem desde a tecnologia para a fabricação a partir da mandioca, mercado da mandioca nos 40 municípios no entorno de Belém e o desenvolvimento de um plano de negócios para chegar à viabilidade. "Se ficar comprovada a viabilidade do negócio, vamos instalar a indústria no Pará", afirmou o diretor geral da Nova Amafrutas, Max Pontes.
Os técnicos do TDI estiveram no Pará em fevereiro para apresentação do processo de produção do bioplástico para os representantes da Nova Amafrutas e entidades parceiras (governo estadual, Fundação Orsa e os bancos do Brasil e da Amazônia).
Fecularia
Eles estudam a viabilidade sócio-econômica para a implantação de uma fecularia (usina de beneficiamento da mandioca para transformação em fécula, também conhecida como goma), além da produção de produtos finais do bioplástico por meio de uma unidade industrial de modificação do amido.
O diretor Avelino Ganzer ressalta que a Amazônia ocupa dois terço do território brasileiro e ainda não se conhece sua potencialidade. Ao apostar no bioplástico da mandioca, o diretor afirma que há toda uma ansiedade. "Quase todo mundo no Pará tem uma convivência e sabe mexer com a mandioca. Só precisam de tecnologia, energia e pesquisa. A mandiocultura é uma potencialidade", observa Ganzer.
Negócio do futuro
Para o presidente do Banco da Amazônia, Mâncio Lima Cordeiro, o bioplástico é um negócio do futuro. "O custo de produção ainda é maior do que o da indústria de petróleo, mas com grandes vantagens", disse o presidente, citando como a principal o fato de ser biodegradável. "É um projeto não só para a Amazônia, mas para todo o Brasil", observa o presidente do Basa.

GM, 19/05/2005, Gazeta do Brasil, p. B13

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.