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Para governo, pecuária avança em nova frente

OESP, Vida, p. A30
24 de out de 2010

Para governo, pecuária avança em nova frente
Amazonas foi o único Estado a registrar aumento do desmate entre agosto de 2009 e julho de 2010; ministra pede estudos

Marta Salomon

O avanço da pecuária em nova frente é a principal explicação disponível por ora no governo para o aumento do abate de florestas no Amazonas - único Estado que registrou crescimento do ritmo das motosserras entre agosto de 2009 e julho de 2010, no período de apuração da taxa oficial de desmatamento, comparado ao período anterior de 12 meses.
A taxa oficial deverá ser divulgada no mês que vem, e a expectativa é que o ritmo do desmatamento no País caia pelo segundo ano consecutivo. Mas dados preliminares do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o desmatamento no Amazonas aumentou 8% no período em que os demais Estados registraram queda.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, pediu estudos detalhados para esclarecer se o aumento do desmatamento no Amazonas pode ter sido causado por estradas instaladas ou em processo de licenciamento no Estado, como a BR-317 e BR-319. Por enquanto, técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) consideram o avanço da pecuária em uma nova fronteira agrícola a hipótese mais forte.
Imagens de satélite mostram a degradação em níveis elevados de florestas nos municípios de Boca do Acre, Lábrea, Manicoré e Apuí. Em Apuí, o sistema de detecção do desmatamento em tempo real do Inpe, o Deter, captou o abate de 43 quilômetros quadrados de florestas. Mas o desmatamento pode ter sido ainda maior, porque o sistema não capta o abate de árvores em áreas menores.
Topo do ranking. O aumento do ritmo das motosserras no Amazonas não foi suficiente, no entanto, para tirar os Estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia da liderança do ranking dos que mais desmatam no País.
Em 2010, o desmatamento no bioma deve ficar abaixo de 5 mil quilômetros quadrados, ou cerca de três vezes o tamanho da cidade de São Paulo, de acordo com expectativas preliminares. Se isso ocorrer será um recorde no período de apuração da taxa de desmatamento, iniciado em 1988.
O governo se comprometeu a reduzir o desmatamento na Amazônia em 80% até 2020.

Áreas menores são alvo

Um novo padrão de desmatamento na Amazônia, concentrado em áreas menores e batizado de "puxadinho", preocupa o Ministério do Meio Ambiente, relevou o Estado em agosto.
O "puxadinho" é o corte da vegetação em área inferior a 25 hectares, o equivalente a 25 campos de futebol. No ano passado, esse tipo de desmate representou 60% do total. O porcentual triplicou em sete anos.
Apesar de as estatísticas do desmatamento na Amazônia serem motivo de vergonha para o Brasil, do ponto de vista tecnológico a situação é diferente. O País é o único do mundo que realiza o monitoramento de modo sistemático de suas florestas, via satélite. Uma experiência de mais de 20 anos que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), agora, quer exportar para outros países tropicais, como Peru, Equador e Colômbia.

Uma em cada três cabeças pasta no limite da Amazônia

Uma em cada três cabeças de gado do rebanho do Brasil pasta nos limites da Amazônia Legal, resultado do deslocamento da pecuária em direção ao Norte, estimulada pelo avanço da fronteira agrícola. Existem cerca de 70 milhões de cabeças na região, o que justificou o estabelecimento de grandes frigoríficos. O avanço da pecuária sobre a Amazônia foi estimulado pela oferta de crédito por instituições oficiais de crédito e, sobretudo, por baixos custos de produção. No bioma, a terra custava pouco ou não custava nada, no caso das terras públicas ocupadas ilegalmente. No rastro desse avanço, aumentou também o desmatamento de florestas.
A auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) reproduziu uma série de levantamentos que mostra que houve sincronia entre o aumento do preço do boi gordo, da oferta de crédito e do abate da floresta, sobretudo durante os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso.

OESP, 24/10/2010, Vida, p. A30

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