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Para economista, índio não quer depender do Estado

OESP, Nacional, p. A17
13 de Jul de 2008

Para economista, índio não quer depender do Estado
Organizador de conferência sobre empreendedorismo critica ONGs

Roldão Arruda

Empreendedorismo indígena. A idéia parece estranha. Mas ela é o tema de uma conferência internacional que começa no dia 22 em Manaus, com a presença de índios brasileiros, de outros países da América Latina, Estados Unidos, Canadá e até da Nova Zelândia. São esperados quase 250 representantes de diferentes comunidades.

Durante quatro dias, vão trocar experiências, ouvir especialistas em diversas áreas de negócios - da mineração ao ecoturismo - e discutir formas de desenvolver atividades econômicas. O que os move é sobretudo o desejo de se tornarem menos dependentes da assistência do Estado e também das ONGs.

É essa a opinião do idealizador do encontro, o economista Raul de Gouvea, especialista na área de negócios e professor da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos. Para ele, as ONGs que trabalham com indígenas nem sempre estão interessados no seu desenvolvimento e autonomia econômica.

'Muitas ONGs capitalizam em cima da pobreza dos índios, deixando-os mais dependentes de suas ações', diz o economista. 'No Brasil funciona ainda a indústria do índio pobre, que não aponta soluções para os problemas econômicos, porque precisa deles para sobreviver.'

Gouvea é brasileiro, mas vive nos Estados Unidos desde o início dos anos 80, quando viajou com o objetivo de fazer sua tese de doutorado. Hoje chefia o Departamento de Finanças, Negócios e Empreendedorismo da Universidade do Novo México.

Durante quase uma década atuou como consultor do Banco Mundial na área de comércio internacional. Sua principal área de interesse agora é a busca de soluções alternativas de crescimento econômico.

Ele disse ao Estado que esse interesse surgiu a partir do contato com os índios do Novo México, o Estado com a maior população indígena dos Estados Unidos. 'Com uma taxa de desemprego muito alta no meio deles, estavam vivamente interessados em discutir soluções de crescimento econômico.'

A conferência de Manaus, que conta com o apoio do governo estadual, é a terceira que Gouvea organiza. As duas anteriores ocorreram nos Estados Unidos. 'O assunto vem despertando interesse em todo o mundo. No site da internet que montamos para trocar experiências, já apareceram interessados de 88 países.'

Na opinião do economista, os índios estão cansados de viver dependendo do assistencialismo, das esmolas públicas e privadas. 'Eles querem sobreviver economicamente de forma autônoma. Querem computador, vacinas, bons hospitais, assim como qualquer outro cidadão brasileiro. Em alguns locais querem se associar com empresários nao-indígenas. Isso não tem a nada a ver, porém, com essa idéia de nação indígena autônoma - uma solução ideológica, boba.'

OESP, 13/07/2008, Nacional, p. A17

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