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Para crescer, e preciso elevar taxa de investimento

OESP, Vida, p.A21
05 de Nov de 2004

Para crescer, é preciso elevar taxa de investimento
O índice do PIB voltado para isso está na casa dos 18%, abaixo do mínimo esperado
Jacqueline Farid
RIO - Indicadores importantes como taxa de investimento e Produto Interno Bruto (PIB) per capita ainda são ameaças para a sustentabilidade do desenvolvimento. "Para países em desenvolvimento, são preconizadas taxas de investimento bem mais altas do que as que têm sido observadas no Brasil. Aqui, elas têm flutuado em torno de valores inferiores a 20% e, além disso, mostram uma clara tendência de declínio", avalia o responsável pela análise das informações econômicas Flávio Bolliger.
Segundo o IBGE, a taxa de investimento (porcentual do PIB voltado para investimentos) manteve-se estagnada entre 1992 (18,42%) e 2003 (18,04%). Há um consenso entre os economistas de que é preciso uma taxa de investimento de pelo menos 25% para garantir um crescimento sustentável nos próximos anos.
No primeiro semestre deste ano - não analisado pela pesquisa, mas segundo alguns dados já divulgados pelo IBGE -, a taxa de investimento subiu para 18,9%. A maior taxa para esse período foi em 2001, com 20,2%.
Para o diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, Julio Sérgio Gomes de Almeida, a taxa poderá crescer para 25% em dois ou três anos desde que o governo adote algumas iniciativas. Entre elas, a recuperação do crescimento econômico, a elaboração de regras claras para o setor produtivo, redução dos impostos para investimentos e a redução dos juros.
Gomes de Almeida disse que o governo tem avançado em reformas que vão permitir avanços na atração de investimentos. "A agenda é boa, mas é preciso ir mais rápido", disse. No que diz respeito aos juros, ele defende a queda tanto da taxa básica (Selic) como a de Juros de Longo Prazo (TJLP). "É preciso aumentar a dose de ousadia, que está baixa."
No caso do PIB per capita, ou seja, as riquezas geradas pelo País divididas pelo número de habitantes, a avaliação é de que o volume é baixo e tem impedido um bom desempenho da economia. O PIB per capita passou, a preços de 2003, de R$ 7.471 em 1992 para R$ 8.564 neste ano - este menor que o de 2002, com R$ 8.692.
Os números revelam, segundo Bolliger, que "nos últimos anos, o PIB per capita do Brasil manteve-se num patamar bastante estável, alternando taxas de crescimento baixas com situações de queda em alguns anos". Para ele, o Brasil tem um nível de renda per capita baixo em relação ao potencial brasileiro e dos países desenvolvidos".

OESP, 05/11/2004, p. A21

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