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Para cientista, estradas sao consequencias e causa do desmatamento

GM, Meio Ambiente, p.A9
02 de Ago de 2004

Para cientista, estradas são conseqüência e causa do desmatamento

Gisele Teixeira

O cientista Marcellus Caldas, da Michigan State University (USA), defende que as estradas não são apenas causadoras do desmatamento. "Elas também podem ser vistas como conseqüência do desmatamento", diz. Ele desenvolve um estudo sobre os efeitos da implantação das estradas federais e do surgimento de estradas "espontâneas" na Amazônia ao longo dos últimos 30 anos e seus impactos na fragmentação das florestas.

Os trabalhos de campo estão localizados basicamente na região da Transamazônica (BR-230), onde as estradas abertas seguem o tipo "espinha de peixe", com uma faixa principal e diversas outras perpendiculares. "O objetivo é ver como esse padrão afetou a floresta e quais são as projeções para o futuro se prosseguirmos no mesmo caminho", diz Caldas.

A Transamazônica expõe a face mais cruel do abandono sofrido pela região. Dos 1,5 mil quilômetros de estradas, onde vivem aproximadamente 800 mil pessoas, apenas 120 quilômetros são asfaltados. Nas áreas rurais, o acesso é feito pelas estradas vicinais, algumas chegando a 100 quilômetros de extensão. "O abandono do estado fez com que as pessoas encontrassem seus próprios meios de escoarem a produção", diz o pesquisador. Alguns trechos foram "encampados" pelos madeireiros e outros totalmente abandonados.

Os colonos assentados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no final das estradas vicinais começaram a fazer pressão para entrar mais para o meio da floresta. Primeiro abrem picadas, depois melhoram o acesso com a ajuda dos madeireiros e, por fim, fazem com que as autoridades locais regularizem os trajetos que já existiam de forma informal. Essas estradas começaram a ser ligadas umas às outras, aumentando a fragmentação da mata. "Com a BR-163, é preciso ficar atento para que este processo não se repita agora", conclui.

Segundo a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o Estado vai cuidar das questões que lhe cabem, como "zoneamento e demarcação das terras indígenas e unidades de conservação". (G.T.)

GM, 02/08/2004, p.A9

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