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Para atingir meta, país cria programa que vai proteger mais áreas marinhas

Valor Econômico, Brasil, p. A2
08 de Set de 2017

Para atingir meta, país cria programa que vai proteger mais áreas marinhas

Daniela Chiaretti

O Ministério do Meio Ambiente está lançando ofensiva inédita para proteger os ecossistemas costeiros e marinhos brasileiros. Batizada de "Iniciativa Azul Brasileira", o esforço buscará, em 15 anos, criar Áreas de Proteção Marinhas (APMs) e costeiras, implantá-las e mantê-las. Para tanto, estrutura também uma plataforma financeira de múltiplas fontes que precisará de US$ 140 milhões até 2022 e US$ 400 milhões em 15 anos.
Só assim, acredita-se, o Brasil conseguirá cumprir o compromisso internacional de criar 10% de áreas protegidas na zona costeira e no mar até 2020. "Há movimentos internacionais dizendo que este percentual é insuficiente e pedindo 30% e até 50% de proteção nos oceanos", diz Cláudio Maretti, diretor do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). "Estamos atrasados". O Brasil protege apenas 1,5% dos ecossistemas marinhos.
A Iniciativa Azul foi lançada ontem, durante o Congresso Internacional sobre Áreas Marinhas Protegidas, no Chile, país líder na criação de unidades de conservação marinhas como forma de manter a biodiversidade. Esta semana aprovou a criação de área de 720 mil km2 em torno à Ilha de Páscoa. A reserva será gerida pela população da ilha e apenas a pesca artesanal será permitida.
A Iniciativa Azul inspira-se no modelo do Arpa, Programa Áreas Protegidas da Amazônia, que foi criado em 2002 e fez com que mais de 50% área da floresta fosse protegida por unidades de conservação e terras indígenas Coordenado pelo MMA, é gerido pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade e financiado com recursos do Global Environment Facility (GEF), Banco Mundial, governo alemão via Banco de Desenvolvimento da Alemanha, Rede WWF e Fundo Amazônia.
A intenção é que a proteção do mar siga caminho similar, com diversos mecanismos de financiamento para as APMs. O dinheiro, espera-se, virá tanto de projetos geridos por ONGs como pela cooperação bilateral, organismos multilaterais e fontes privadas. O gestor pode ser o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) tendo o MMA/ICMBio como coordenador.
A ideia da Iniciativa Azul surgiu este ano. "Percebemos que estávamos fazendo pouco em relação à proteção marinha e pesca, em esforços de criar reservas extrativistas e trabalhar com populações tradicionais", diz Maretti.
"Queremos fazer tudo em parceria. Não só na captação e gestão de projetos, mas abrir para concessões, prestar atenção ao turismo, conseguir que as populações tradicionais possam gerir, em 10 anos, uma reserva extrativista".
Organizações como a IUCN, o WWF e a CI, para citar algumas, apoiam a ideia desde a origem. O WWF ajuda na captação de recursos com doadores internacionais e no apoio técnico. Anna Carolina Lobo, coordenadora do programa marinho do WWF-Brasil diz que é preciso definir critérios de manejo sustentável dos recursos e também encontrar meios de dialogar com outros setores, como o petróleo. Lembra que o Brasil tem 12% dos manguezais do mundo, o segundo país em cobertura destes ecossistemas que, entre outras funções, são fonte de sequestro de carbono e protegem a costa dos humores do mar. "Precisamos avançar na sua proteção", diz.
Outro parceiro do MMA é a Conservação Internacional (CI). "Estamos ajudando na revisão de áreas prioritárias", diz Guilherme Fraga Dutra, diretor de estratégia costeira e marinha da CI-Brasil. Uma destas regiões, por exemplo, é a cadeia de montanhas submersas Vitória-Trindade, considerada um "hotspot" de biodiversidade. Albardão, no Sul, tem grande potencial pesqueiro e é área de reprodução de tubarões e raias. No Norte, a região conhecida por "Lixeira", na zona de influência do estuário do Amazonas, tem alta produtividade de camarões. A CI elabora um projeto com foco em APMs, que pode vir a ser de US$ 100 milhões e cinco a 10 anos, no Green Climate Fund, criado nas convenções climáticas da ONU. "Queremos fomentar o uso de modelos produtivos e sustentáveis no Brasil, como forma de frear as ameaças aos ecossistemas costeiros e marinhos", diz.

Valor Econômico, 08/09/2017, Brasil, p. A2

http://www.valor.com.br/brasil/5111710/para-atingir-meta-pais-cria-prog…

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