OESP, Nacional, p.A7
25 de Fev de 2005
Para Amorim, proposta de Lamy é preconceituosa
BRASÍLIA - Em meio à acirrada disputa pela direção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disparou ontem duras críticas às declarações do candidato da União Européia, o francês Pascal Lamy, sobre a gestão da Amazônia. Também aproveitou o deslize do francês para tentar angariar maior simpatia dos países em desenvolvimento ao candidato brasileiro, o embaixador Luiz Felipe Seixas Corrêa. O chanceler considerou como "preconceituosa" a visão de Lamy sobre o tema e destacou que suas afirmações são "incompatíveis" com o posto máximo da OMC.
Anteontem, em uma conferência na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, Lamy defendera a adoção de "regras de gestão coletiva" para a Amazônia e as demais florestas tropicais e insinuara que essas áreas deveriam ser tratadas como "bens públicos mundiais".
Também refletiu se outros temas, como as rotas marítimas e a água, não poderiam receber o mesmo tratamento, em um questionamento da clareza na definição dos "bens públicos mundiais".
"As declarações do sr. Lamy revelam uma visão preconceituosa, que subestima a capacidade dos países em desenvolvimento de gerenciar, de forma soberana e sustentável, os seus recursos naturais", afirmou Amorim, por meio de sua assessoria de imprensa. "Tais declarações são incompatíveis com o cargo de diretor-geral da OMC, ao qual o sr. Lamy aspira", completou ele, no Oriente Médio, logo ao tomar conhecimento das declarações.
PETARDO
Anteontem, mesmo com a ausência de Amorim no País, o Itamaraty havia rechaçado as declarações de Lamy, que foi o comissário da União Européia para o Comércio até o final de outubro passado. O ministério afirmara que a posição do Brasil é "diametralmente oposta" e que o País "repudia com veemência" qualquer afirmação que relativize sua soberania sobre seus recursos naturais. Entretanto, não havia ainda transformado a questão em um petardo contra a candidatura de Lamy.
OESP, 25/02/2005, Nacional, p.A7
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