O Globo, Sociedade, p. 27
02 de Jul de 2015
Pantanal: fluxo de águas da Bacia do Rio Paraguai corre risco de ser alterado
Hidrelétricas afetam a pesca local, atividade que movimenta mais de R$ 1 bilhão por ano
Cleide Carvalho
SÃO PAULO - Com 70% de seu potencial energético já aproveitado e 44 usinas hidrelétricas em operação, a Bacia do Rio Paraguai corre risco de ver alterado seu fluxo de águas, responsável pela existência da maior área alagável de água doce do mundo e um de seus mais belos santuários, o Pantanal.
Sua capacidade de servir a uso múltiplos, como a pesca, e até o turismo, dependem de planejamento, estudos e bom-senso ao avaliar o projeto de instalação de outras 110 pequenas hidrelétricas na Bacia - uma delas prevista para ser instalada num dos mais belos cartões portais do Mato Grosso, a cachoeira Salto das Nuvens, em Tangará da Serra.
- Se todos os rios receberem barragens para alcançar a taxa de 100% de exploração da capacidade energética, o Pantanal acaba - afirma a bióloga Débora Calheiros, da Embrapa Pantanal e da Universidade Federal do Mato Grosso.
Ela lembra que a vida no Pantanal depende do ritmo das águas, que alterna períodos de cheia e vazante capazes de sustentar a riqueza biológica. Além do turismo, uma das preocupações mais imediatas é com a pesca, um dos negócios mais prósperos da região, movimentando mais de R$ 1 bilhão por ano.
As barragens de hidrelétricas impedem a migração de peixes e muitas espécies desaparecem depois da construção. Na região de Cuiabá, a capital mato-grossense, o pacu, um dos peixes mais saborosos da culinária local, hoje é criado em cativeiro. Débora explica que o funcionamento das hidrelétricas atende à necessidade de geração de energia e o rio sobe ou desce de acordo com os horários de pico de consumo, desorientando os peixes.
O Globo, 02/07/2015, Sociedade, p. 27
http://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/pantanal-fluxo-de-ag…
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