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Paises se reunem para tentar frear devastacao

OESP, Geral, p.A12
10 de fev de 2004

Países se reúnem para tentar frear devastação ONU realiza a 7.ª Conferência Mundial sobre Diversidade Biológica, fruto da Rio-92
KUALA LUMPUR - A destruição da biodiversidade por causa de ações humanas continua a passos largos 12 anos depois da adoção da Convenção sobre Diversidade Biológica, na Cúpula da Terra, a Rio-92, disse ontem o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Klaus Toepfer, na abertura da sétima Conferência Mundial sobre Diversidade Biológica, em Kuala Lumpur, capital da Malásia. Cerca de 2 mil ambientalistas, cientistas e representantes governamentais participam até o dia 20 do encontro.
"Não alcançamos o objetivo da convenção e a perda da biodiversidade continua em grande escala. Temos de nos dedicar mais a essa área", afirmou Toepfer.
"Não podemos continuar a nos contentar com palavras e devemos fazer que as pessoas compreendam que a biodiversidade é importante para o desenvolvimento econômico", completou. Ratificada por 187 países durante a Rio-92, a convenção tem por objetivo organizar um desenvolvimento econômico durável que respeite o meio ambiente e a diversidade.
Na opinião de Toepfer, é hora de os governos fazerem um acordo sobre um regime internacional que permita a divisão das riquezas com os países em desenvolvimento. "É importante para acabar com a pobreza e reduzir as tensões internacionais", declarou.
"Nada foi realmente feito desde a reunião do Rio", disse, por sua vez, o ambientalista canadense David Suzuki. "Eles atuam como se tivéssemos todo o tempo do mundo e não se dão conta de que estamos em crise", continuou, em referência aos países ricos, que dão prioridade à industrialização e ao progresso econômico sem se preocupar com a preservação ambiental. "Se China, Brasil, Índia e Indonésia destruírem seus ecossistemas como os países desenvolvidos já fizeram, como a natureza continuará a fornecer os recursos de que os seres humanos precisam?", perguntou.
Futuro - Até 2050 o aquecimento global, causado pela emissão de gases poluentes na atmosfera, o desmatamento e a pesca predatória, entre outros fatores, terão extinguido da superfície terrestre um terço das espécies que a habitam. Cerca de 34 mil espécies vegetais e 5.200 animais estão em risco de extinção, conforme dados divulgados na convenção.
Nos últimos cem anos, a temperatura subiu praticamente um grau e o nível dos mares cresceu 20 centímetros. O aumento do calor, a contaminação, os incêndios florestais e a própria destruição das defesas naturais do planeta aceleraram esse aquecimento e, de acordo com especialistas da ONU, a temperatura será oito graus mais alta em 2100 e o aumento do nível do mar será de 88 centímetros.
O diretor do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês), Gordon Sheppard, declarou recentemente que parte do futuro do planeta depende dessa reunião. "Já se fala em reduzir substancialmente a perda de biodiversidade até 2010 e as decisões tomadas aqui demonstrarão se a comunidade internacional está disposta ou não" a enfrentar esse desafio, concluiu.
As decisões resultantes da conferência serão incluídas na Declaração de Kuala Lumpur, a ser assinada por ministros do Meio Ambiente, durante encontro a ser realizado nos dias 18 e 19. (AFP, EFE e AP)

OESP, 10/02/2004, p.A12

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