OESP, Vida, p. A28
04 de Fev de 2007
Países ricos incorporam aquecimento à política
Fernando Dantas, de Davos
O aquecimento global foi um dos principais temas discutidos no Fórum Econômico Global de 2007, em Davos, mostrando que o assunto entrou enfim na pauta das grandes potências, tanto dos governo como das empresas. Um número recorde de 17, das cerca de 220 sessões do evento realizado no fim de janeiro, exploraram os mais diversos aspectos do tema, como os mecanismos de mercado para controlar as emissões, os riscos para a segurança global e os aspectos jurídicos.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, defendeu que as nações busquem um acordo ainda mais radical que o Protocolo de Kyoto (não ratificado pelos Estados Unidos), quando este expirar em 2012. 'Estamos na iminência de uma grande virada', disse. Sua opinião refletiu a visão consensual no fórum de que o controle da emissão de gases do efeito estufa comece de fato a ser exercido pelos principais poderes globais.
Outra discussão foi sobre até que ponto o aquecimento é um problema em que a solução depende dos governos ou pode também ser resolvido pelos mercados. Uma das preocupações óbvias num encontro dominado por capitalistas é de que regulações excessivas atrapalhem o crescimento das empresas e o desenvolvimento econômico. Mas mesmo entre eles já tem prevalecido a idéia de que os efeitos nocivos do aquecimento global são muito piores.
Jacques Aigran, principal executivo da Swiss Re, uma das maiores seguradoras do mundo, assumiu esse discurso, ao lembrar que os custos para controlar a mudança do clima são bem menores que o das conseqüências, ao serem considerados os níveis de risco. O sistema de mercado para controlar as emissões ainda é visto como uma boa solução pela maioria dos participantes, mas talvez insuficiente diante da velocidade do aquecimento global. Os mercados que já existem ainda são muito inferiores ao que seria necessário para conter o efeito-estufa.
Os participantes do fórum representam empresas com um faturamento anual total de US$ 10 trilhões, quase um quarto do PIB global. Pesquisa mostrou que o número dos que consideram o aquecimento uma prioridade para os líderes mundiais passou de 9% para 20% de 2006 para 2007.
OESP, 04/02/2007, Vida, p. A28
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