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Paises estao longe da meta de Kyoto

OESP, Vida, p.A18
23 de Nov de 2005

Países estão longe da meta de Kyoto
As emissões de gases estufa têm se mantido estáveis, mas previsão é de que subam mais de 10% até 2010
Herton Escobar
Se o Protocolo de Kyoto terminasse hoje, suas metas estariam cumpridas. Mas ainda falta muito para comemorações. Segundo o relatório mais recente divulgado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), entre 1990 e 2003 os países industrializados reduziram a soma de suas emissões de gases do efeito estufa em 5,9%. Ou seja, acima dos 5,2% exigidos pelo protocolo.
Por trás da boa notícia, porém, permanecem muitos desafios. O relatório aponta que o grosso das reduções ocorreu em países com economia em transição do leste e do centro europeu ainda no início da década de 90, devido ao colapso industrial que se seguiu à queda do Muro de Berlim. Nos últimos anos, as emissões têm se mantido estáveis, mas a previsão é que subam mais de 10% até 2010.
"Isso significa que a garantia de reduções mais duradouras e profundas ainda é um desafio para os países desenvolvidos", afirma Richard Kinley, chefe do secretariado da UNFCCC. Enquanto as emissões dos países de economia em transição, como Rússia, Polônia e Romênia, caíram 39,6% no período, as dos países mais desenvolvidos, como Estados Unidos, Espanha e Japão, aumentaram 9,2%.
Os dados para países em desenvolvimento são mais limitados e, em geral, não passam de 1994. O Brasil aparece com um aumento de 11,1% de emissões entre 1990 e 1994.
O documento que atualiza os dados foi lançado na semana passada, em preparação para a 11ª Conferência das Partes da Convenção do Clima e da 1ª Reunião das Partes do Protocolo de Kyoto, que começam nesta segunda-feira em Montreal, no Canadá. O encontro deverá marcar o início oficial das negociações para o segundo mandato do protocolo, que começa em 2013.
Pelo acordo em vigor, até 2012, os países desenvolvidos (do grupo chamado Anexo 1) deverão reduzir a soma de suas emissões em 5,2% abaixo dos níveis de 1990. Países em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia, também se comprometem a combater o aquecimento global, mas sem metas compulsórias de redução - arranjo que levou os EUA a abandonar o protocolo, por considerá-lo injusto e penoso a sua economia.
Nas negociações do pós-2012, a expectativa é que os países do Anexo 1 assumam metas maiores de redução de emissões. Já os países em desenvolvimento deverão ser pressionados a aceitar compromissos mais pesados de participação. O consenso entre as partes é de que os 5,2% atuais não terão nenhum efeito significativo sobre o clima - tampouco os 5,9% -, apesar da vitória política na aprovação do protocolo.
ENERGIA
Outro cenário desafiador surge da Agência Internacional de Energia (IEA), em Paris. De acordo com o relatório Panorama de Energia Mundial 2005, divulgado neste mês, a demanda global de energia deverá aumentar mais de 50% nos próximos 25 anos - isso se as políticas de uso energético não forem alteradas. Conseqüentemente, as emissões de dióxido de carbono (CO2) proveniente do consumo de energia deverão crescer 52%.
O problema é que para produzir energia, na maioria dos casos, é preciso queimar combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, que lançam enormes quantidades de gases estufa na atmosfera. "As tendências projetadas têm implicações importantes e levam a um futuro que não é sustentável - tanto do ponto de vista ambiental quanto de segurança energética", declarou o diretor-executivo interino da IEA, William Ramsay. "Precisamos mudar esses resultados e colocar o planeta no caminho da energia sustentável."

OESP, 23/11/2005, p. A18

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