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Países debatem acordo sobre o uso de energias renováveis

OESP, Geral, p. A12
02 de Jun de 2004

Países debatem acordo sobre o uso de energias renováveis
Conferência mundial começa em Bonn; ecologistas querem compromisso de 'inimigos'

BONN - A Conferência Mundial sobre Energias Renováveis foi inaugurada ontem em Bonn, antiga capital da Alemanha, com a presença de mais de 3 mil participantes, entre eles representantes governamentais de mais de 150 países. O objetivo da reunião, que deve durar quatro dias, é estimular a exploração e o desenvolvimento de fontes energéticas renováveis.
Mesmo assim, a representação de governos é menor que a desejada, admitiu Hermann Scheer, deputado social-democrata e idealizador de alguns dos eventos da conferência, como o Fórum Parlamentar que será realizado hoje, com cerca de 400 deputados de todo o mundo.
Será necessário um compromisso dos "inimigos naturais do clima", nas palavras de representantes do Greenpeace, como a China e os Estados Unidos, que enviaram representações simbólicas.
O evento tem por meta aprovar um plano internacional de ação que favoreça o desenvolvimento de uma estrutura energética mais respeitosa com o meio ambiente e evite o uso do petróleo, que tem atingido altos preços.
Independência - "As energias renováveis, como a solar, a eólica, a hídrica e a biomassa, são inesgotáveis, estão disponíveis em quase todos os lugares e reduzem a dependência do petróleo", afirmou o ministro alemão do Meio Ambiente, Juergen Trittin, um dos anfitriões do evento com a sua colega do Desenvolvimento, Heidemarie Wieczorek-Zeul.
Ela defendeu que as energias renováveis, com exceção da água, têm a vantagem de estar em todos os lugares e ser inesgotáveis, o que diminui a possibilidade de conflitos pelas fontes. "Nunca haverá guerras pelo acesso à energia solar", exemplificou a ministra.
A conferência teve forte presença de organizações ambientalistas, que exigiram ajuda urgente para os países mais pobres. "Temos de assegurar que a questão da energia seja tratada seriamente, manifestando vontade política, mas também mostrando os recursos financeiros", disse Marcelo Furtado, membro do Greenpeace do Brasil e representante da Cures (organização internacional que luta por energias renováveis e sustentabilidade). Ele também ressaltou que a transformação energética deve ser discutida paralelamente ao desenvolvimento nos países mais necessitados.
Já o presidente do Instituto de Pesquisa Worldwatch, Christopher Flavin, criticou o Banco Mundial por não promover substancialmente a exploração de energias renováveis, assinalando que o fundo deveria se concentrar em novas tecnologias.
Hoje 65% da energia mundial é gerada por fontes fósseis, como o petróleo, 16,8% por centrais nucleares, 16,4% por centrais nucleares e cerca de 2% pelas demais.
Gás natural - Presente à conferência, a ministra de Minas e Energia do Brasil, Dilma Rouseff, convidou a empresa estatal russa Gazprom a participar de projetos de extração de gás natural no País.
Dilma explicou os planos brasileiros para desenvolver o mercado nacional de gás em reunião com o vice-presidente da Gazprom, Alexander Ananenkov, e citou a Petrobrás como possível parceira dos russos em projetos de extração.
Hoje, segundo a empresa russa, o Brasil consome cerca de 13 bilhões de metros cúbicos de gás por ano, dos quais 4 bilhões são importados da Bolívia e outros 500 milhões, da Argentina. (AFP, DPA e EFE)

OESP, 02/06/2004, Geral, p. A12

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