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País vai defender reformas em exame no Conselho de Direitos Humanos da ONU

Valor Econômico, Brasil, p. A4
05 de Mai de 2017

País vai defender reformas em exame no Conselho de Direitos Humanos da ONU

Assis Moreira

O Brasil precisa fazer reformas estruturais para que as políticas sociais sejam sustentáveis. É a mensagem que o governo de Michel Temer apresentará hoje no exame da política de direitos humanos do país, no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra.
Esse exame ocorre a cada quatro anos e meio. No caso do Brasil, 109 países se inscreveram para a avaliação. Os temas mais tratados em relatórios e questões apresentadas previamente incluem insegurança pública, violência policial, estado deplorável das prisões, direitos dos povos indígenas e impacto de programas de austeridade.
A delegação brasileira, chefiada pela ministra de Direitos Humanos, Luislinda Valois, vai destacar que o país leva a sério o mecanismo de Revisão Periódica Universal, tem disposição ao diálogo e está determinado a cooperar com a ONU para tentar avançar em políticas e programas sociais.
O relator independente da ONU para extrema pobreza e direitos humanos, Philip Alson, avaliou que o congelamento de despesas públicas por 20 anos no Brasil seria incompatível com as obrigações de direitos humanos do país. Para ele, haverá erosão de direitos sociais no momento em que a demanda por serviços vai aumentar. Os mais afetados serão os grupos mais vulneráveis e que dependem exclusivamente de acesso a serviços públicos. Alguns países também indagam sobre até que ponto a austeridade vai ter impacto em programas sociais.
A resposta do governo, hoje, é que o impacto do plano econômico ''será real e positivo'' no combate à pobreza. Ou seja, os programas sociais não podem ser sustentáveis se o país não tiver a casa em ordem, com responsabilidade fiscal.
A orientação da delegação brasileira, conforme fontes, é de não tentar ''cobrir o sol com a peneira''.
Reconhece os enormes desafios no país, mas também diz que há avanços. Argumentará que o programa Bolsa Família atende atualmente cerca de 13,5 milhões de famílias, com grande impacto social, custando menos de 0,5% do PIB.
Mencionará também que 1,2 milhão de famílias deverão se beneficiar em breve do programa Minha Casa, Minha Vida, somando-se a cerca de 3,2 milhões de famílias que receberam uma casa desde 2009.
Falará do novo programa, Criança Feliz, que deve ampliar a rede de cuidado integral com a primeira infância.
Sobre a questão indígena, o governo de Michel Temer vai se dizer empenhado em definir a demarcação de terras. Lembrará que estão demarcadas 462 terras indígenas no país, totalizando mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, quase 13% do território nacional.
Também presente em Genebra, a secretária-executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, destaca que os recursos para a educação em 2017 correspondem a R$ 139 bilhões, crescimento de R$ 9 bilhões em relação a 2016. Ela admite que a meta do Plano Nacional de Educação, de destinar 10% do PIB à educação (hoje é 6,2%) talvez precise ser revisto, porque foi aprovado numa conjuntura diferente.
Na avaliação de algumas organizações não governamentais (ONGs), o Brasil precisa se engajar a fundo sobre o resultado da avaliação do Conselho de Direitos Humanos. "Esperamos que o governo garanta transparência e participação da sociedade civil e implemente as recomendações positivas que receba, sobretudo nas áreas de justiça criminal, direitos dos povos indígenas e direitos econômicos e sociais'', diz Camila Asano, da ONG Conectas.

Valor Econômico, 05/05/2017, Brasil, p. A4

http://www.valor.com.br/brasil/4958274/pais-vai-defender-reformas-em-ex…

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