OESP, Metrópole, p. A14
11 de Nov de 2013
País tentará antecipar reduções de CO2
Em nova rodada de negociações climáticas, delegação brasileira vai propor que cortes nas emissões de carbono comecem o quanto antes
Giovana Girardi, Enviada especial / VARSÓVIA - O Estado de São Paulo
Uma nova rodada de negociações para a definição de um acordo climático global começa nesta segunda-feira, 11, em Varsóvia, Polônia, com a missão de tentar antecipar para o quanto antes ações ambiciosas de redução das emissões de gases de efeito estufa. Ao menos essa é a expectativa da delegação brasileira, que chega com uma proposta de se criar um estímulo para isso.
Pelo cronograma estabelecido nas reuniões anteriores - as chamadas conferências do clima, ou COPs -, os quase 200 países membros da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC, em inglês) têm de chegar a um acordo até 2015 sobre um novo pacto de redução das emissões que seja válido para todas as nações e entre em vigor em 2020.
Até lá, o combate ao aquecimento global fica a cargo de metas voluntárias de alguns países e dos compromissos com o Protocolo de Kyoto (acordo válido apenas para as nações ricas, que expira em 2020).
Esses planos de redução, porém, estão muito aquém do necessário, como mostrou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) na semana passada. O Relatório sobre a Lacuna de Emissões apontou que, mesmo que todos sejam cumpridos, a quantidade de CO2-equivalente lançada na atmosfera em 2020 deverá ficar 8 a 12 bilhões de toneladas acima do limite projetado como necessário para manter o aquecimento do planeta dentro de um limite de 2"C até 2100.
Proposta. Em entrevista ao Estado, o novo negociador-chefe da delegação brasileira, embaixador José Antonio Marcondes de Carvalho, disse que vai apresentar uma proposta de estímulo para que se eleve essas metas até o final da década.
"O risco é não se levar em conta a atual situação de concentração de gases de efeito estufa e ficarmos esperando o ano de 2020", disse. "Tenhamos a decisão política, cada país individualmente, de trabalhar isso, em dois aspectos. Os países desenvolvidos que têm compromissos assumidos pelo Protocolo de Kyoto 2 poderiam superar as suas metas inscritas e os países em desenvolvimento que tenham tomado atitudes voluntárias também. O estímulo seria permitir que essas ações possam ser contabilizadas no cálculo de metas para pós-2020. Permitiria aumentar a ambição e ter ambição já."
A proposta, explica ele, é complementada por outra, que prevê medir as responsabilidades históricas de cada país na elevação da temperatura do planeta. O Brasil espera conseguir em Varsóvia a aprovação para que o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) crie uma ferramenta que mensure essa colaboração. A ideia já tinha sido apresentada, e descartada, em 1997, quando foi definido o Protocolo de Kyoto.
Questionado sobre se esse "dedo na cara" de quem fez o quê não poderia acirrar ainda mais os ânimos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, Marcondes disse que a proposta visa a trazer certezas científicas para a questão.
"Se estamos falando de responsabilidades comuns, porém diferenciadas, é muito importante que possamos ter uma medida concreta disso. Como as últimas conferências definiram que as ações devem estar voltadas para tratar do controle da elevação da temperatura em até 2"C, é importante ver o que corresponde a cada país nesse aumento, uma vez que já se concordou que o novo regime será aplicável a todos", explica.
Em relação ao novo acordo global, a COP em Varsóvia tem a missão de preparar o terreno e estabelecer um calendário que permita avançar na preparação de um primeiro esboço do acordo, que deverá estar disponível em maio de 2015 - para ser fechado no final do ano, em Paris.
"A conferência não vai concluir as negociações, mas é muito importante que faça progressos e defina o cenário para Paris", disse a comissária para ações climáticas da União Europeia, Connie Hedegaard.
Novo negociador ocupa vaga do chefe
Giovani Girardi
O embaixador Marcondes de Carvalho estreia nas conferências do clima com a responsabilidade de dar sequência a um histórico de sucesso da diplomacia brasileira na questão. Até o ano passado, a delegação era liderada pelo atual ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado.
Marcondes brinca que não há pressão em exercer o cargo que seu atual chefe costumava ocupar. "Tu vês a tranquilidade que eu tenho de estar orientado por uma das pessoas que mais conhece esse sistema. É confortadora a minha posição hoje", afirma, com seu característico sotaque gaúcho.
OESP, 11/11/2013, Metrópole, p. A14
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